"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

15/09/2009

Sobre a partida do último Felinto da irmandade

Convivi pouco com tio João. Sei muito mais dele pelas falas dos meus irmãos mais velhos do que de uma convivência mais aproximada. Isto não o fez menos tio meu que qualquer outro, justamente por saber dele a partir das conversas cotidianas domésticas. Sem contar que lembro muito bem das visitas dominicais no Landau azul (lindo!), bem como do orgulho que sempre senti por ter um tio ex combatente ( não é pra todo mundo não). Eita! É mesmo que estar vendo papai falando sobre a odisséia que foi a viagem dele a Itália, sobre o seu terno que ele, (papai) sempre expunha ao sol, para no caso de “o mano” dele (era assim que eles se chamavam um ao outro, todos eles) chegar a qualquer momento ter o que vestir.
Senti muito a sua ida deste mundo, a perda do último tio por parte de papai, além de sentir mais ainda pelos filhos dele e por tia Dôra, que estão sentindo tudo aquilo que sentimos quando papai partiu e que não é nada fácil.
Na missa de sétimo dia fui surpreendida com a crônica que um dos seus netos escreveu em sua homenagem. Não apenas pela beleza das palavras bem escritas, mas, sobretudo pelo teor das mesmas, que me revelou a imensa semelhança que tio João tinha com papai, numa demonstração de que “quem sai aos seus, não degenera”.
Dos chocolates “escondidos”, ao exalar do cheiro do banho tomado, passando pelos chinelos bem dispostos oferecidos, tudo me dava a impressão, e não só a mim, mas a todos que leram, de estar frente à frente com discrições de Zé Felinto. O cuidar dos netos e filhos, os mimos, o contar histórias, e principalmente a história de vida, tudo me faz crer que a herança maior foi deixada pelos nossos avós, (bisavós).
E cada vez mais, ratifico a importância da família num jeito de ser, nas peculiaridades que fazem de nós, seres diversos e semelhantes ao mesmo tempo, através de uma marca registrada que nos concede ser percebido como um Felinto de longe.
Viva pai Tonho! Viva mãe Nana! Estes avós que não conheci vivos, mas de quem sei muito, também pelos relatos que sempre estiveram presentes na cotidianidade da família. Eles que souberam imprimir em nós todos, um jeito de ser e um trato com as pessoas que vão existir sempre, enquanto o sobrenome Felinto existir na face da terra. Protejamos então essa marca, ela faz toda a diferença, no melhor sentido que isto possa ter.
Lola, em 15 de dezembro de 2008.