"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

30/10/2009

Das pessoas que marcaram a minha infância

Há pessoas que rondam nossas vidas a vida inteira
E a nossa vida é lembrar dessas pessoas com insistência

Há quem nem chegue a saber que sempre foi
Alguém que marcou a vida de outro alguém, fez diferença

Dessas pessoas que passaram em minha vida
E que ficaram impregnadas nas lembranças

Tem algumas que fizeram a minha infância
Um tanto quanto importante para mim

Tia Cinta, belas pernas e finess
Me despertava o gosto pelo francês
E a Fábula de La Fontaine não esquecer

Quando guria convivi pouco, mas deu
Pra marcar presença as visitas de Mozart

Que primo lindo, na aparência e no falar
Sempre apreciei seus jeitos, seus modos

E suas histórias ouvia com atenção
Da ditadura à Inglaterra e enfim Bahia
Onde todos os santos lhe ungiram

Não muito raro eu me lembro dos domingos
Em que ao acordar já ouvia anunciar

A chegada de seu Antonio, velho amigo
Que meu pai sempre recebia com prazer
Para prosear até não mais querer

Aquele sorriso era pura simpatia
Que na fase adulta desejei tanto rever (quem sabe, um dia)

Outras figuras marcaram suas presenças
Na minha história, e as guardo com alegria

Não esqueço nunca como Laete, homem tão sério
Me atendia sempre tão atencioso

E em respeito ao sobrenome que eu tenho
Satisfazia, sem ao menos questionar
Os pedidos a ele encaminhados

É com carinho que guardo entre minhas memórias
Atores coadjuvantes que se tornaram

Realçados por um feito, um jeito, um trato
E penso neles sempre com muito agrado
Me alegrando sempre que neles eu falo

É assim com D. Elianete, que me tinha
Como amiga mais chegada de “Carlinha”
Quase uma tia era pra mim, muito querida

D. Helena, com suas tranças e brincadeiras
Me atraia o olhar para a poesia

Sem se dar conta do que estava fazendo:
Se registrando em minha biografia

Fui promovida à “querubina” de Ivanildo
Junto a Lulu era uma das suas preferidas

São coisas que marcaram muito a minha vida
E delas nunca haverei de esquecer

Pessoas que se chegaram e nunca foram
Se achegaram e se entranharam dentro de mim

E foi assim também com “Jamir”
Aderbal, que se empenhava em ajudar

Nas festinhas juninas que fazíamos
E se alegrava quando tudo dava certo
Foi por isso que foi bom tê-lo por perto

Walfredo foi visita bem marcante
Tão sorridente, educado e tão falante

Quando o encontro até hoje me recordo
E ele nem sabe o que significa para mim

Mas é assim mesmo e é bom que seja assim
Porque certas coisas são importantes para mim

Estas pessoas apenas eram o que elas eram
Sem a mínima intenção de me atingir

E é assim que a vida traça suas linhas
E vai aos poucos se desenhando “sozinha”

Tendo como plano de fundo muitas vezes
Algumas cenas da minha vida singela
E é por isso que acredito que ela é bela.

(outubro 2009)

16/10/2009

5 Minutos

Era assim que chamávamos por alcunha aquela criança linda, fofinha, sorridente e bastante pesada – não conseguíamos segurá-la no colo por mais que 5 minutos, mesmo que assim desejássemos.
A criança cresceu (nem tanto), mas apareceu. E com seu carisma forjou sua capacidade para se dar bem na vida - se dar bem no sentido filosófico de ser feliz. E no início da juventude já experimentava o sucesso: faculdade, trabalho... Tudo caminhava de forma acertada, mas o desejo do verdadeiro amor o acompanhava. Foi assim que encontrou na pessoa de Marina seu acalanto.
E assim o rapaz, “gente fina”- agora homem feito - concretiza com o ritual simbólico do casamento, a união que já vem sendo construída com amor, cordialidade e alegria, sua marca registrada.
Casa Ramon e Zezé ganha Marina, mais um exemplar feminino desta família que já é grande no tamanho, mas infinita em suas potencialidades relacionadas a cada individualidade que a compõe.
O dia 11 de outubro passa a ser um marco nesta nova fase.
Daqui a pouco outras virão e o nascimento dos herdeiros iniciará mais um ciclo.
Quem sabe o porvir nos presenteará com outro bebê lindinho, fofinho e sorridente que nos fará lembrar o mote: “5 minutos”.

Lola , em 11/10/09

Pilares

Entre os pilares do Palácio procurei
De onde vinha a luz que iluminava

O salão que em frenesi dançava
Que te ocultava e eu não via a tua face

Busquei além, pedi aos céus esperança
E entre os pilares voltei a te procurar

Não estavas lá e eu triste, cabisbaixa.
Então parei para aproveitar a festa

Foi então que me dei conta que és pilar
E escondido entre eles não estarias

Posto que és daqueles a viga mestra
O sustentáculo, a base, tu és a égide

Agradeci a Deus então com uma prece
E resolvi que o teu lugar é entre nós

Quando estivermos todos juntos e em uma só voz
Reconhecermos a graça de sermos teus

Filhos, esposa, netos, genros e amigos
Assim teremos sempre como sustentáculo

Não um pilar, mas um ombro generoso (quase um abraço)
E a festa continuou, foi tão gostoso!

Outubro 2009

Sapatinhos Vermelhos


Na infância desejei todos os sapatos
E os vestidos que as minhas amigas tinham

Meus sapatos brancos de natal nem sempre
Eram aquilo que eu mais queria

Quando o ano transcorria e então eu via
As meninas com sapatinhos vermelhos

Os olhava sempre com desejo
De que eles fossem, na verdade, meus

Depois cresci e aprendi que a vida
Nem sempre nos oferece o que queremos

Mas que muito mais que sapatinhos de cores
Vale uma vida branca de sossego

De quem teve a chance de ser filho por inteiro
De pai e mãe tão bons e verdadeiros

No seu sentir e agir, e então querer
Crescer ainda mais e imitar os pais

E aos seus filhos dar, nem sempre o que pedirem
Mas o que realmente precisarem ter

Educação de boa qualidade
Propiciar-lhes além de ler, escrever

As suas vidas da melhor forma possível
Assim então, colorir os seus dias

Com tintas que não se encontram em nenhum sapato
E muito menos em vestidinhos bordados

Outubro 2009

01/10/2009

Carta para o Programa em Frente

Karl Marx afirmou que “a religião é o ópio do povo”. O senso comum brinca, dizendo ser ela “o pio do povo”, como dizia o meu professor de teoria do conhecimento, o professor Biu. Se considerarmos a analogia do pio, com o direito à fala, haveremos de considerar assertiva o dizer popular.
Dentro da perspectiva de dar ao povo um direito que é seu por “natureza”, percebo que o Programa Em Frente, veiculado pela TV Aparecida às quintas feiras à noite e reprisado as segundas,como sendo um espaço que, voltado à religião , a coloca em prática da maneira mais democrática possível, ouvindo as pessoas que a ele recorrem por diversos meios: telefone, carta e e-mail.
Fico muito feliz e esperançosa ao ver três pessoas altamente qualificadas discutirem junto aos expectadores, assuntos tão variados.
Os temas da quinta feira 13/08/09 - casamento, separação, sexualidade foram discutidos em alto nível, incluindo aí, a simplicidade com que os apresentadores os trataram, como é de praxe.
“Conheci” Padre Pedro, ou melhor dizendo, o programa, em janeiro, quando estive de férias em João Pessoa e lá tive acesso à TV Aparecida. Foi minha irmã Fáti que sugeriu a programação que ela já conhecia muito bem, tecendo elogios e se dizendo fã do trio Rodolfo, Denise e Pe. Pedro.Se disse encantada com a maneira dos três falarem sobre temas cotidianos com tanta profundidade e ao mesmo tempo com uma linguagem tão acessível, que realmente chega ao expectador, seja ele quem for.
Desde então fiquei tentando assistir, quando dispunha de tempo, (trabalho à noite), aqui em Campina Grande, minha cidade, mas na maioria das vezes sem êxito, porque a TV Aparecida nem sempre pegava na minha casa.
Ultimamente venho sendo contemplada com uma melhora na imagem e se estou em casa no horário do programa assisto com muito gosto, embora nunca tenha conseguido assistir do início ao fim, por não conciliar o horário com o das minhas aulas. Quase chego a aplaudir quando me entusiasmo com o debate. Embora não chegue a aplaudir de fato, meu aplauso simbólico é bem real e eu gostaria de compartilhar a minha satisfação com vocês, queridos apresentadores e com seus muitos fãs espalhados Brasil afora.
Peço a Deus que continue a iluminá-los para que possam realizar este trabalho que traz à luz e a esperança de dias melhores a tanta gente. Principalmente no sentido de relacionar religiosidade à vida prática, numa demonstração de que, a religião pode ser bem mais que “o pio do povo”; pode ser alavanca para sua redenção, desde que praticada a serviço do crescimento pessoal e coletivo, humanizando cada vez mais as relações entre os homens.
É neste tipo de religiosidade que acredito. Religião como prática política. Não no sentido de política institucional, partidária, mas política como inerente à condição humana, como diriam os teóricos da ciência política.
Costumo dizer que, apesar de não ser muito de freqüentar igreja, mesmo tendo estudado boa parte da minha vida em colégio de freiras, as Lourdinas, tenho muita fé em Deus, e tento compartilhá-la no meu dia a dia como mãe, esposa, irmã, filha, amiga e professora. Sempre comento sobre a minha fé e sobre o poder que acredito, tem a oração, possibilitando uma vida mais alegre e mais plena.
Adoro ouvir de Pe. Pedro, comentários isentos de preconceitos, acatando todo tipo de fiel, pois assim me incluo como um dos tantos tipos que existem.
Como socióloga de formação, não permiti que o conhecimento sobre a história da humanidade e suas múltiplas formas de “decifrar” o ser humano me afastasse da fé em Deus.Como antropóloga, reconheço a diversidade e as múltiplas maneiras de se relacionar com o “sagrado”. Percebo a religião como elemento da cultura, bem como enquanto prática pessoal, subjetiva, mesmo que sua prática seja coletiva. Émile Durkheim dizia ser a religião a primeira forma de experiência coletiva, portanto social.
Na minha experiência íntima percebo que ela não me retira nada, muito pelo contrário – não podendo, portanto, ser vista como alienante, ou como disse K. Marx, como “ópio”.
A religião e a fé, embora distintas, se complementam e transcendem à espiritualidade, deixando marcas nas relações entre as pessoas. E é neste sentido que consigo ser uma pessoa leve, apesar dos pesares que, reconheço, a vida nos apresenta, fazendo com que esta leveza envolva meu dia a dia e reflita na minha relação com a vida e com as pessoas.
Agradeço a vocês a oportunidade que estou tendo de reciclar a minha fé e de reafirmá-la a cada dia.
Lembro que no dia da minha aula da saudade, quando concluí o curso de ciências sociais na UFPB, em 1994, um colega me perguntou se eu ainda acreditava em Deus. Mesmo percebendo o tom de brincadeira, respondi seriamente que sim, “tanto quanto” antes, mas não “como” antes. Percebe-se aí, uma mudança qualitativa na minha prática de mulher de fé e esta mudança continua em processo, tendo no programa de vocês, um motivo a mais para seguir EM PRENTE.
Muito obrigada.