"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

09/12/2012

Quando As Almas Amam





Amar é bom de todo jeito
Mas sem defeito quando se ama e se é amado
Amar sozinho parece pecado
Sendo castigado pela ousadia da gente
Amar é bom quando a gente sente
Que o nosso amor também ama e sente
Tudo aquilo que nos arrepia
Em noite de lua ou em pleno dia
Dia de sol festeja o amor maior
Que acontece quando as almas amam
E os corpos um ao outro reclamam

Lola (09/12/12)

07/12/2012

Desembrulhado a Maçã



Trem Das Cores
A franja na encosta
Cor de laranja
Capim rosa chá
O mel desses olhos luz
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Crianças cor de romã
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
Ficando
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
Que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul
Quase inexistente, azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açaí
E aqui, trem das cores
Sábios projetos:
Tocar na central
E o céu de um azul
Celeste celestial




 Desembrulhado a Maçã


Cantarolando Trem das Cores, de Caetano Veloso, relembrei falas de professores queridos, de antropologia e minhas próprias aulas, quando enfatizo que as nuances, os detalhes, os pormenores, dão o tom - o tom das cores - como um lindo TREM DAS CORES, cortando serras, abrindo caminho ao desconhecido.
Esta composição não apenas cita detalhadamente, minuciosamente, um cotidiano que muitas vezes passa despercebido, necessitando ser desembrulhado, como a maça envolvida ao papel de seda azul... E quanto perfume o papel exala! Quanto sabor! Quanta sensação que só a partir do desembrulhar se revela!
Os dois lados da janela tornam-se lócus imprescindíveis e privilegiados a uma visão mais elaborada, mais multifacetada, que possibilita ver o “quase inexistente”, o “que não há”.

Nuances como a “cor de romã”, que geralmente pintam os rostos das crianças brincando, se eternizam enquanto lembranças gostosas de buscar e rebuscar, como “o mel de cor ímpar” que adoça o olhar do bem amado.
Ouço, leio, ouço de novo e leio mais uma vez, duas, três, e nunca me canso de encontrar beleza nesta música que encarna a singeleza da vida e que me atiça para desejar mais e mais vivê-la, pintando cores da aquarela, num trem em movimento ou no corpo muitas vezes estancado pelo cansaço.

Lola (05/12/12)

Da descrença no Amor





Se não acreditas, o amor não existe
E assim fico triste
O coração no abandono, sofre, tem sono...
E adormece a paixão

O corpo cambaleando
Procura repouso
Não há nada de novo
E eu pairo num canto
Na desilusão
Lola (04/12/12)

28/11/2012

Assim Falava o Principezinho




Papai Noel existe
Papai nunca fica triste
Mamãe é danada e insiste
Eu vou crescer e ser um príncipe

Lola (28/11/12)

23/11/2012

Tenho Dito



Quero escrever pra crianças
Imaginá-las me lendo
Quero entender seus sorrisos
Ao descobrir como penso
Sobre a vida, sobre o vento
Não quero mais perder tempo
Vou escrever pra crianças
Me aguardem,  escutem o que eu digo
Vou escrever pra crianças
Tenho dito

Lola (23/11/12)

16/11/2012

Levado Ao Vento



Você esqueceu que me amou
E a nossa estória nem passado virou
O que virou foi a página...E o vento levou...

Lola (16/11/12)

12/11/2012

Das Palavras

De palavra em palavra fui te contando

Da poesia que anda me rondando

Desde que o meu olhar parou no teu


Lola (09/11/120)

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