"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

14/12/2012

Acróstico - CLARICE LISPECTOR

C reio em empatia à primeira vista
L á no encontro primeiro, uma atração
A ssim aconteceu comigo ao ler
R indo, descobri que gostaria de escrever
I sso e aquilo que ela escreveu
C om seu jeito peculiar de ser
E u bem queria escrever tão bem

L indamente triste, melancólico
I nstantes de vida pulsando em letras
S em mais, nem menos, sem talvez algum
P osto que tudo o que diz sai das entranhas
E mesmo que possa parecer estranha
C reio que ninguém discorda do que diz
T odos, em uníssono se orgulham
O u sentem prazer em saber que ela é
R ainha das crônicas e da poesia e é brasileira nascida na Ucrânia
Lola (12/12/12)

Nós Dois No Céu





Queria voar no céu que nos une
Quem sabe, sentiria teu cheiro
Ficaríamos o dia inteiro
Perambulando no céu
E quando a noite chegasse
Brincaríamos com as estrelas
Viríamos a lua de perto
Abraçaríamos a madrugada
Não pensaríamos mais em nada
Além de nós dois no céu
Lola (14/12/12)

09/12/2012

Sinto

O amor e a tua falta
Só não sinto teus beijos que desejo


Lola(08/12/12)

Igual Poema




Tem gente que gosta mesmo do amor que a gente tem pra dar
Mas não consegue nos amar como gostaríamos e merecemos
Nada a fazer se o amor não acontece
Ou acontece de maneira diversa do nosso desejo
Melhor ficar quieta sem alarde, sem esbravejo
E tentar entender como verdades
As juras de amor que nos remetem
E aprender que cada amor tem seu deleite
Sem espernear seguir em frente
Pois tem coisas que nunca serão da gente
Ou são e mesmo assim não nos fazem plenas
Porque amor só é bom se exagerar na dose, igual poema
                                
Lola (09/12/12/)


Quando As Almas Amam





Amar é bom de todo jeito
Mas sem defeito quando se ama e se é amado
Amar sozinho parece pecado
Sendo castigado pela ousadia da gente
Amar é bom quando a gente sente
Que o nosso amor também ama e sente
Tudo aquilo que nos arrepia
Em noite de lua ou em pleno dia
Dia de sol festeja o amor maior
Que acontece quando as almas amam
E os corpos um ao outro reclamam

Lola (09/12/12)

07/12/2012

Desembrulhado a Maçã



Trem Das Cores
A franja na encosta
Cor de laranja
Capim rosa chá
O mel desses olhos luz
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Crianças cor de romã
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo
Ficando
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
Que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul
Quase inexistente, azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açaí
E aqui, trem das cores
Sábios projetos:
Tocar na central
E o céu de um azul
Celeste celestial




 Desembrulhado a Maçã


Cantarolando Trem das Cores, de Caetano Veloso, relembrei falas de professores queridos, de antropologia e minhas próprias aulas, quando enfatizo que as nuances, os detalhes, os pormenores, dão o tom - o tom das cores - como um lindo TREM DAS CORES, cortando serras, abrindo caminho ao desconhecido.
Esta composição não apenas cita detalhadamente, minuciosamente, um cotidiano que muitas vezes passa despercebido, necessitando ser desembrulhado, como a maça envolvida ao papel de seda azul... E quanto perfume o papel exala! Quanto sabor! Quanta sensação que só a partir do desembrulhar se revela!
Os dois lados da janela tornam-se lócus imprescindíveis e privilegiados a uma visão mais elaborada, mais multifacetada, que possibilita ver o “quase inexistente”, o “que não há”.

Nuances como a “cor de romã”, que geralmente pintam os rostos das crianças brincando, se eternizam enquanto lembranças gostosas de buscar e rebuscar, como “o mel de cor ímpar” que adoça o olhar do bem amado.
Ouço, leio, ouço de novo e leio mais uma vez, duas, três, e nunca me canso de encontrar beleza nesta música que encarna a singeleza da vida e que me atiça para desejar mais e mais vivê-la, pintando cores da aquarela, num trem em movimento ou no corpo muitas vezes estancado pelo cansaço.

Lola (05/12/12)

Da descrença no Amor





Se não acreditas, o amor não existe
E assim fico triste
O coração no abandono, sofre, tem sono...
E adormece a paixão

O corpo cambaleando
Procura repouso
Não há nada de novo
E eu pairo num canto
Na desilusão
Lola (04/12/12)

Arquivo do blog