"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

11/04/2010

À mesa

Estar à mesa com alguém diz muito
À mesa só as boas companhias
Se te convido à mesa pra comer
Beber ou conversa jogar fora
Saibas que te tenho como bom amigo
Irmão talvez, pai ou mãe, até, quem sabe
Nunca duvides, porém do simbolismo
Que à mesa só tenho e terei quem aprecio
Por isso mesmo fique certo bem
Que desejando a tua companhia
Convidarei pra estares comigo
Dividindo pratos, talheres e bebida
Falaremos sobre tudo, sobre a vida
E estarei feliz por estares comigo

07/04/2010

Fuso Horário

Fuso Horário

Mal começa a madrugada aqui
Pra ti ela já se tornou metade
Eu torço pra que o dia logo venha
E traga de volta a tua companhia

A tarde por aqui se vai, bem sei
Que pra ti já é noite iniciando
E eu fico insone, sempre desejando
Que ela logo passe, não demore

Pra que voltes a fazer parte do meu dia
Trazendo assim de volta a alegria

07/04/10

28/03/2010

Dia de são José

S e hoje chover, nós teremos
A lgo pra comemorar
O u quem sabe elaborar


J á sinto o cheiro da terra
O nde há de se plantar
S ementes só das melhores
E aguardar o que vai brotar
(19/03/10)

27/03/2010

Minhas menininhas



Tenho duas menininhas
Ou serão mulherisinhas?

Às vezes as chamo gurias
Outras tantas de mocinhas

Elas são múltiplas crianças
Em quem coloco esperanças

De ver um futuro legal
Pois nelas há um sentido

De sentimento e de vida
Que não se encontra em outras

São mulheres na esperança
De igualdade, mudança

São filhas minhas e crias
De um tipo de educação

Que tem o tom da liberdade
Aquela tão almejada

E fazem disso bandeira
Das suas práticas de vida

São mais mulheres, são amigas
São mais que filhas queridas


Novas possibilidades
De convivência amigável

De relacionamento saudável
De alegria e ousadia

São felicidade minha
Materializada em filhinhas

Seja no 08 de março
Seja em qualquer dos meus dias

Festejo com alegria
A sua educação

Que as fez dois exemplares
De que podemos ser mulheres

E apreciarmos bem isso
Pois o que nos faz, de fato

Não é a biologia
É um a maneira de ser

Passada por outra via
Um trato, um gesto, um exemplo

Seja em qualquer momento
De que mulher pode tudo

Inclusive nada ser
E escolher bem, ser de tudo

Um pouco, muito, talvez
Mas decidir com altivez

Mulher é isso, é aquilo
E elas são bem assim

Por isso as quero pra mim
E para o mundo também

Quem sabe o mundo dê voltas
Que propiciem que o jeito

Que elas têm passe a ser
Hegemonia e não defeito

Sobre a Fotografia

Se eu quisesse falar sobre você
O faria através da fotografia

Nela seu semblante denuncia
O que muitas vezes se esconde

Por detrás de um homem carrancudo
Ou até de sorrisos amarelos

Aqui eu te vejo mais sincero
Do que sempre vi e me surpreendem

A candura, a meiguice, a alegria.
Genuínas, assim como a mim pareces

Tão sincero, tão essência, tão gostoso
Diria que esse sorriso é quase um gozo

Ratifica o encanto e a beleza
Que a vida muitas vezes nos esconde

Mas que não é preciso ir tão longe
Pra buscá-lo, ele existe em nosso âmago

E é a ele que devemos recorrer
Quando tentados a seguir outros caminhos

Nos desviamos do que é mais verdadeiro
E nos embreamos em vidas vulgares

Pode ser redundância e o é, de fato
Mas diria que este retrato te retrata

Em tudo e vai bem lá no fundo
Conseguindo retratar a tua alma

E é essa verdade que aprecio
Que muitas vezes não é exposta e ninguém vê

Mas eu, como sei muito de você
Sei muito bem o que pode vir à tona

E mesmo assim ainda me pego surpreendida
Ah, mas isso é bom que aconteça

Pois o que é tão declarado, escancarado
Muitas vezes não passa de um retrato

Desfigurado ou até mesmo remendado
De quem deseja falsear sua verdade
(24/03/10)

08/03/2010

FELIZ 08 DE MARÇO!

Que saibamos os motivos da comemoração;
Que tenhamos o que comemorar;
Que comemorando lembremos que a luta continua;
Que a comemoração seja alegre como geralmente somos.

PARABÉNS PELO DIA DA MULHER!

02/03/2010

"Doidim Por Você" ( em elaboração)

Se eu quisesse dizer, Campina, a ti
Sobre o que eu sinto e sempre me calo
Te diria que és pra mim um alo
Que Deus me presenteou e hoje eu falo

Campina tu és menina bela
Entre todas que conheço a mais alegre
E por isso a ti eu me entrego
Como te entrego a mim pra te cuidar

Quero ver-te sempre sorridente
Alcançando posições bem elevadas
Pra que eu sempre me volte para o Alto
E agradeça por ti, cidade amada

Grande em tudo, altaneira
Dona do Parque que é do Povo
E de um povo que é do mundo
Nele tu és sempre o destaque

Do clássico dos maiorais
Campinense e Treze, e mais:
Da narração de Joselito
Primeiro entre os principais

Campina de seu Vavá
De João Gonçalves, Capilé
De Biliu e Amazan
Do São João maior do mundo

Tem Encontro da Nova Consciência
E a poesia dos antigos carnavais
Que hoje não passam de saudade
Pois não existe mais o bloco
Micarande não tem mais

A Praça da Bandeira é dos pombos
Eles tomaram conta
O que fazer por ti,querida,
Minha cidade,minha vida?

Queria ser tua mãe mas sou tua filha
E embora possa te cuidar,
Tu me embalastes em teus braços
E assim quero ficar
Até que a morte de ti me aparte

“Campina Grande, meu bem querer
Campina Grande querida
Orgulho da minha vida
Eu sou doidim por você.”

02/03/10

27/02/2010

Menina

Menina se eu pudesse te daria
Saia rodada
Balões de noite e até de dia

Te daria um quentão gostoso
Pra que tu chegasses a pegar fogo
E eu mais então te acenderia

Menina se hoje fosse São João
Se houvesse pamonha e canjica
Eu te diria que és muito bonita

Te deixaria dançar um forró
E é claro que não dançarias sozinha
Terias a minha companhia

Menina se hoje tivesse fogueira
Te incendiaria com minha energia
E as cinzas que amanhã sobrassem

Poderiam contar aos quatro ventos
Que na noite passado houve alegria
E por aí ela se espalharia

Menina se eu te amasse tanto
Quanto o meu canto quer dizer
Não precisaria nem te convencer

Há tempos tu já serias minha
Menina
E essa canção nem existiria

Mas hoje não é São João, é qualquer dia
No céu não há nem um balão
E fogueira só em meu pensamento

Que arde, queima e espera por você
O dia já vai amanhecer
E o meu sonho vai desvanecer

27/02/10

25/02/2010

Calor Junino

                                                      No rosto o suor do fogo da fogueira
                                                      Na boca o riso de noites inteiras

                                                      Tantas brincadeiras

                                                      No céu balões e todas as cores do mundo
                                                      No fundo, o desejo das noites de são João

                                                      Nas mãos estrelinhas e no céu o luar

                                                      Na calçada e na rua tanta gente a amar
                                                      Na bacia a água e adivinhação

                                                      No coração a esperança nos dias que virão

                                                      Que tenham todas as cores e as alegrias
                                                      Que tenha todo o calor e também fantasia

                                                      Que as lágrimas não passem de fogos de artifício

                                                     Na boca perdurem todos os sorrisos
                                                     E a vida prossiga em paz e harmonia

                                                     Com o gosto do milho e o verde da esperança

                                                    Que continuemos assim, eternas crianças
                                                    Brincando, gostando e sempre dançando
                                                    Brindando a vida, festejando o santo

                                                    Sentindo no rosto o calor da fogueira
                                                    E aquecendo o corpo com quem a gente queira
                                                    Refrescando a mente de tanta canseira

                                                   Desejando voltar sempre à brincadeira
                                                   Percebendo na festa o motivo maior
                                                   Pra dizer que a vida pode ser bem melhor

                                                   E assim continuemos vivendo a esperança
                                                   De fazer prolongar sempre mais a infância
                                                   Soltando girândola e cantando a canção













21/02/2010

FORRÓ

Dizem do forró que é bom demais
Eu diria que é muito mais que isso

Forró a gente escuta e logo dança
Mesmo sem saber os passos certinhos

Quem dera a vida fosse um forró
Em que todos dançassem com alegria

Dançando assim, de noite e até de dia
O mundo muito mais se alegraria

Vigia a noite um forró bem quente
Desses que a gente ouve e logo sente

Que não dá pra fugir e então se entrega
A essa que deveria ser a nacional

Dança da esperança, da alforria
O mundo então assim melhor seria

Dançado bem quentinho como o forró
Só haveria espaço pra o melhor

21/02/2010

14/02/2010

Calor

Madrugada quente
De derreter miolos

Pensamento aflora
Mas não vinga

Se ressente do calor
E da falta do teu

06/02/2010

MAITÊ

Suspiro negro numa noite poética
Rima dos poetas loucos
Ninfa dos bosques recheados de aroma

Bela

Vale o quanto pesa tua beleza infinita
Que dura enquanto assim for

Maitê

12/01/2010

Da poesia que há em mim

Você é a poesia que há em mim
Sempre foi assim e assim sempre será

Poesia não tem início nem tem fim
E assim comigo você sempre ficará

Desejo ter você por toda a vida
A vida que é daqui e que é de lá

Alhures há poesia, onde habitas
E aqui a poesia há de ficar

(12/01/10)

Sobre o Zelito que aprecio

Diz o ditado que antes tarde do que nunca
E que em tudo se deve ver as mãos de Deus

Entortou o pé, mas não entornou o caldo
Há baques na vida que servem como alavancas

Neste sentido desejo que o susto da queda
O permita ensaiar mais um passo da dança

O bêbado e o equilibrista são duas faces da moeda
Nesta dialética da vida aguardo ansiosa

Pelo equilíbrio fazer-se presença constante
Para tocar a vida e narrar eventos

Pra lá das quatro linhas
Além das ondas sonoras do rádio

Dizer da vida que é bonita

Contribuindo incessantemente para sua beleza
Sendo simplesmente o Zelito sóbrio – em todos os sentidos

A família lhe aguarda no aconchego
E espera de você contigüidade

É isso que os pais são para os filhos
É isso que os filhos são para os pais

E o bêbado não cabe mais na corda bamba
Ela passa a ter outra serventia

De sustentáculo, de apoio, de elo, de ligação
E que de tudo isto você retire uma lição

12/01/10

30/10/2009

Das pessoas que marcaram a minha infância

Há pessoas que rondam nossas vidas a vida inteira
E a nossa vida é lembrar dessas pessoas com insistência

Há quem nem chegue a saber que sempre foi
Alguém que marcou a vida de outro alguém, fez diferença

Dessas pessoas que passaram em minha vida
E que ficaram impregnadas nas lembranças

Tem algumas que fizeram a minha infância
Um tanto quanto importante para mim

Tia Cinta, belas pernas e finess
Me despertava o gosto pelo francês
E a Fábula de La Fontaine não esquecer

Quando guria convivi pouco, mas deu
Pra marcar presença as visitas de Mozart

Que primo lindo, na aparência e no falar
Sempre apreciei seus jeitos, seus modos

E suas histórias ouvia com atenção
Da ditadura à Inglaterra e enfim Bahia
Onde todos os santos lhe ungiram

Não muito raro eu me lembro dos domingos
Em que ao acordar já ouvia anunciar

A chegada de seu Antonio, velho amigo
Que meu pai sempre recebia com prazer
Para prosear até não mais querer

Aquele sorriso era pura simpatia
Que na fase adulta desejei tanto rever (quem sabe, um dia)

Outras figuras marcaram suas presenças
Na minha história, e as guardo com alegria

Não esqueço nunca como Laete, homem tão sério
Me atendia sempre tão atencioso

E em respeito ao sobrenome que eu tenho
Satisfazia, sem ao menos questionar
Os pedidos a ele encaminhados

É com carinho que guardo entre minhas memórias
Atores coadjuvantes que se tornaram

Realçados por um feito, um jeito, um trato
E penso neles sempre com muito agrado
Me alegrando sempre que neles eu falo

É assim com D. Elianete, que me tinha
Como amiga mais chegada de “Carlinha”
Quase uma tia era pra mim, muito querida

D. Helena, com suas tranças e brincadeiras
Me atraia o olhar para a poesia

Sem se dar conta do que estava fazendo:
Se registrando em minha biografia

Fui promovida à “querubina” de Ivanildo
Junto a Lulu era uma das suas preferidas

São coisas que marcaram muito a minha vida
E delas nunca haverei de esquecer

Pessoas que se chegaram e nunca foram
Se achegaram e se entranharam dentro de mim

E foi assim também com “Jamir”
Aderbal, que se empenhava em ajudar

Nas festinhas juninas que fazíamos
E se alegrava quando tudo dava certo
Foi por isso que foi bom tê-lo por perto

Walfredo foi visita bem marcante
Tão sorridente, educado e tão falante

Quando o encontro até hoje me recordo
E ele nem sabe o que significa para mim

Mas é assim mesmo e é bom que seja assim
Porque certas coisas são importantes para mim

Estas pessoas apenas eram o que elas eram
Sem a mínima intenção de me atingir

E é assim que a vida traça suas linhas
E vai aos poucos se desenhando “sozinha”

Tendo como plano de fundo muitas vezes
Algumas cenas da minha vida singela
E é por isso que acredito que ela é bela.

(outubro 2009)

16/10/2009

5 Minutos

Era assim que chamávamos por alcunha aquela criança linda, fofinha, sorridente e bastante pesada – não conseguíamos segurá-la no colo por mais que 5 minutos, mesmo que assim desejássemos.
A criança cresceu (nem tanto), mas apareceu. E com seu carisma forjou sua capacidade para se dar bem na vida - se dar bem no sentido filosófico de ser feliz. E no início da juventude já experimentava o sucesso: faculdade, trabalho... Tudo caminhava de forma acertada, mas o desejo do verdadeiro amor o acompanhava. Foi assim que encontrou na pessoa de Marina seu acalanto.
E assim o rapaz, “gente fina”- agora homem feito - concretiza com o ritual simbólico do casamento, a união que já vem sendo construída com amor, cordialidade e alegria, sua marca registrada.
Casa Ramon e Zezé ganha Marina, mais um exemplar feminino desta família que já é grande no tamanho, mas infinita em suas potencialidades relacionadas a cada individualidade que a compõe.
O dia 11 de outubro passa a ser um marco nesta nova fase.
Daqui a pouco outras virão e o nascimento dos herdeiros iniciará mais um ciclo.
Quem sabe o porvir nos presenteará com outro bebê lindinho, fofinho e sorridente que nos fará lembrar o mote: “5 minutos”.

Lola , em 11/10/09

Pilares

Entre os pilares do Palácio procurei
De onde vinha a luz que iluminava

O salão que em frenesi dançava
Que te ocultava e eu não via a tua face

Busquei além, pedi aos céus esperança
E entre os pilares voltei a te procurar

Não estavas lá e eu triste, cabisbaixa.
Então parei para aproveitar a festa

Foi então que me dei conta que és pilar
E escondido entre eles não estarias

Posto que és daqueles a viga mestra
O sustentáculo, a base, tu és a égide

Agradeci a Deus então com uma prece
E resolvi que o teu lugar é entre nós

Quando estivermos todos juntos e em uma só voz
Reconhecermos a graça de sermos teus

Filhos, esposa, netos, genros e amigos
Assim teremos sempre como sustentáculo

Não um pilar, mas um ombro generoso (quase um abraço)
E a festa continuou, foi tão gostoso!

Outubro 2009

Sapatinhos Vermelhos


Na infância desejei todos os sapatos
E os vestidos que as minhas amigas tinham

Meus sapatos brancos de natal nem sempre
Eram aquilo que eu mais queria

Quando o ano transcorria e então eu via
As meninas com sapatinhos vermelhos

Os olhava sempre com desejo
De que eles fossem, na verdade, meus

Depois cresci e aprendi que a vida
Nem sempre nos oferece o que queremos

Mas que muito mais que sapatinhos de cores
Vale uma vida branca de sossego

De quem teve a chance de ser filho por inteiro
De pai e mãe tão bons e verdadeiros

No seu sentir e agir, e então querer
Crescer ainda mais e imitar os pais

E aos seus filhos dar, nem sempre o que pedirem
Mas o que realmente precisarem ter

Educação de boa qualidade
Propiciar-lhes além de ler, escrever

As suas vidas da melhor forma possível
Assim então, colorir os seus dias

Com tintas que não se encontram em nenhum sapato
E muito menos em vestidinhos bordados

Outubro 2009

01/10/2009

Carta para o Programa em Frente

Karl Marx afirmou que “a religião é o ópio do povo”. O senso comum brinca, dizendo ser ela “o pio do povo”, como dizia o meu professor de teoria do conhecimento, o professor Biu. Se considerarmos a analogia do pio, com o direito à fala, haveremos de considerar assertiva o dizer popular.
Dentro da perspectiva de dar ao povo um direito que é seu por “natureza”, percebo que o Programa Em Frente, veiculado pela TV Aparecida às quintas feiras à noite e reprisado as segundas,como sendo um espaço que, voltado à religião , a coloca em prática da maneira mais democrática possível, ouvindo as pessoas que a ele recorrem por diversos meios: telefone, carta e e-mail.
Fico muito feliz e esperançosa ao ver três pessoas altamente qualificadas discutirem junto aos expectadores, assuntos tão variados.
Os temas da quinta feira 13/08/09 - casamento, separação, sexualidade foram discutidos em alto nível, incluindo aí, a simplicidade com que os apresentadores os trataram, como é de praxe.
“Conheci” Padre Pedro, ou melhor dizendo, o programa, em janeiro, quando estive de férias em João Pessoa e lá tive acesso à TV Aparecida. Foi minha irmã Fáti que sugeriu a programação que ela já conhecia muito bem, tecendo elogios e se dizendo fã do trio Rodolfo, Denise e Pe. Pedro.Se disse encantada com a maneira dos três falarem sobre temas cotidianos com tanta profundidade e ao mesmo tempo com uma linguagem tão acessível, que realmente chega ao expectador, seja ele quem for.
Desde então fiquei tentando assistir, quando dispunha de tempo, (trabalho à noite), aqui em Campina Grande, minha cidade, mas na maioria das vezes sem êxito, porque a TV Aparecida nem sempre pegava na minha casa.
Ultimamente venho sendo contemplada com uma melhora na imagem e se estou em casa no horário do programa assisto com muito gosto, embora nunca tenha conseguido assistir do início ao fim, por não conciliar o horário com o das minhas aulas. Quase chego a aplaudir quando me entusiasmo com o debate. Embora não chegue a aplaudir de fato, meu aplauso simbólico é bem real e eu gostaria de compartilhar a minha satisfação com vocês, queridos apresentadores e com seus muitos fãs espalhados Brasil afora.
Peço a Deus que continue a iluminá-los para que possam realizar este trabalho que traz à luz e a esperança de dias melhores a tanta gente. Principalmente no sentido de relacionar religiosidade à vida prática, numa demonstração de que, a religião pode ser bem mais que “o pio do povo”; pode ser alavanca para sua redenção, desde que praticada a serviço do crescimento pessoal e coletivo, humanizando cada vez mais as relações entre os homens.
É neste tipo de religiosidade que acredito. Religião como prática política. Não no sentido de política institucional, partidária, mas política como inerente à condição humana, como diriam os teóricos da ciência política.
Costumo dizer que, apesar de não ser muito de freqüentar igreja, mesmo tendo estudado boa parte da minha vida em colégio de freiras, as Lourdinas, tenho muita fé em Deus, e tento compartilhá-la no meu dia a dia como mãe, esposa, irmã, filha, amiga e professora. Sempre comento sobre a minha fé e sobre o poder que acredito, tem a oração, possibilitando uma vida mais alegre e mais plena.
Adoro ouvir de Pe. Pedro, comentários isentos de preconceitos, acatando todo tipo de fiel, pois assim me incluo como um dos tantos tipos que existem.
Como socióloga de formação, não permiti que o conhecimento sobre a história da humanidade e suas múltiplas formas de “decifrar” o ser humano me afastasse da fé em Deus.Como antropóloga, reconheço a diversidade e as múltiplas maneiras de se relacionar com o “sagrado”. Percebo a religião como elemento da cultura, bem como enquanto prática pessoal, subjetiva, mesmo que sua prática seja coletiva. Émile Durkheim dizia ser a religião a primeira forma de experiência coletiva, portanto social.
Na minha experiência íntima percebo que ela não me retira nada, muito pelo contrário – não podendo, portanto, ser vista como alienante, ou como disse K. Marx, como “ópio”.
A religião e a fé, embora distintas, se complementam e transcendem à espiritualidade, deixando marcas nas relações entre as pessoas. E é neste sentido que consigo ser uma pessoa leve, apesar dos pesares que, reconheço, a vida nos apresenta, fazendo com que esta leveza envolva meu dia a dia e reflita na minha relação com a vida e com as pessoas.
Agradeço a vocês a oportunidade que estou tendo de reciclar a minha fé e de reafirmá-la a cada dia.
Lembro que no dia da minha aula da saudade, quando concluí o curso de ciências sociais na UFPB, em 1994, um colega me perguntou se eu ainda acreditava em Deus. Mesmo percebendo o tom de brincadeira, respondi seriamente que sim, “tanto quanto” antes, mas não “como” antes. Percebe-se aí, uma mudança qualitativa na minha prática de mulher de fé e esta mudança continua em processo, tendo no programa de vocês, um motivo a mais para seguir EM PRENTE.
Muito obrigada.

15/09/2009

Sobre a partida do último Felinto da irmandade

Convivi pouco com tio João. Sei muito mais dele pelas falas dos meus irmãos mais velhos do que de uma convivência mais aproximada. Isto não o fez menos tio meu que qualquer outro, justamente por saber dele a partir das conversas cotidianas domésticas. Sem contar que lembro muito bem das visitas dominicais no Landau azul (lindo!), bem como do orgulho que sempre senti por ter um tio ex combatente ( não é pra todo mundo não). Eita! É mesmo que estar vendo papai falando sobre a odisséia que foi a viagem dele a Itália, sobre o seu terno que ele, (papai) sempre expunha ao sol, para no caso de “o mano” dele (era assim que eles se chamavam um ao outro, todos eles) chegar a qualquer momento ter o que vestir.
Senti muito a sua ida deste mundo, a perda do último tio por parte de papai, além de sentir mais ainda pelos filhos dele e por tia Dôra, que estão sentindo tudo aquilo que sentimos quando papai partiu e que não é nada fácil.
Na missa de sétimo dia fui surpreendida com a crônica que um dos seus netos escreveu em sua homenagem. Não apenas pela beleza das palavras bem escritas, mas, sobretudo pelo teor das mesmas, que me revelou a imensa semelhança que tio João tinha com papai, numa demonstração de que “quem sai aos seus, não degenera”.
Dos chocolates “escondidos”, ao exalar do cheiro do banho tomado, passando pelos chinelos bem dispostos oferecidos, tudo me dava a impressão, e não só a mim, mas a todos que leram, de estar frente à frente com discrições de Zé Felinto. O cuidar dos netos e filhos, os mimos, o contar histórias, e principalmente a história de vida, tudo me faz crer que a herança maior foi deixada pelos nossos avós, (bisavós).
E cada vez mais, ratifico a importância da família num jeito de ser, nas peculiaridades que fazem de nós, seres diversos e semelhantes ao mesmo tempo, através de uma marca registrada que nos concede ser percebido como um Felinto de longe.
Viva pai Tonho! Viva mãe Nana! Estes avós que não conheci vivos, mas de quem sei muito, também pelos relatos que sempre estiveram presentes na cotidianidade da família. Eles que souberam imprimir em nós todos, um jeito de ser e um trato com as pessoas que vão existir sempre, enquanto o sobrenome Felinto existir na face da terra. Protejamos então essa marca, ela faz toda a diferença, no melhor sentido que isto possa ter.
Lola, em 15 de dezembro de 2008.

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