"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

15/08/2009

Vivendo e aprendendo

O medo da morte é uma coisa incrível
Ao contrário do medo da vida,nos faz correr atrás

De viver, já que a morte é certa
De acertar, pois que errar é de morte

Erros e acertos são bem relativos
Ponderar é saber conviver

Com diferentes formas de ser
É matar preconceitos latentes

Transbordar o que consiliar

Abrandar sentimentos e atos
Deixar a suavidade vencer

Sou mais eu quando calo, não grito
Sou mais eu quando vejo e acredito

Que há motivos e não polemizo
Quando faço morrer o que é mau

Permitindo o bem renascer
Sou mais eu, pois me sinto crescer

(22/02/09)

O grande retorno

Irmão dos primeiros anos
De vida

Alegria nas vistas
De férias

Prontidão à qualquer hora

Suas vindas são poucas
Escassas

Não matam a saudade
E a esperança é o alimento

De um dia voltar a tê-lo
Mais perto

Resurge agora
Das cinzas

Tal qual fênix volta a alçar vôos
Mais altos

E a auto estima nos trará
De volta o primogênito

(05/03/09)

Solidão

Pra tudo há espaço
Há um canto
Um recanto

Só eu fico de lado
Não me acho
Em teu abraço

Que faço
Deixo de lado
E assim parto pra outras plagas

Busco outros braços
Me refaço do meu pranto

Ou persisto
Insisto
Persevero

Falo sério quando reclamo solidão

(09/05/09)

06/08/2009

FATI ( Acróstico)

F iz de ti porto seguro
A njo de amor e bondade
T anto pedi e dei pouco
I nda te devo um bocado


28/07/08

01/08/2009

Das coisas da vida

Penso da vida

Que deveria ser simples como a luz do sol
Que aparece quase sempre
E que é tão necessária

Penso da vida

Que deveria ter a alegria dos dias festivos
Em que celebramos
O que há de bom

Penso da vida, a doçura de um bombom

Cujo recheio completa, mas não é tudo
Penso que um dia duro
também ensina a viver

Penso da vida
Que é perecível
E se não cuidarmos ela se finda

Apodrecida, sem amadurecer

Penso da vida
Que é prazer
Que é bonita

Se a enfeitarmos, mesmo que de chita

Que se enfeia
Se não a respeitarmos
Se fizermos dela apenas um enfado

Penso da vida
Que é entreposto
E que com alegria e algum esforço

É possível viver tudo de novo

26/07/09

Cotidiano

Acordo

Desembaço a vista
A vida me chama a viver

Atendo meio sem coragem
Logo me envolvo em trabalho

E trato de resolver
Problemas e coisa e coisa à toa

Coisa boa também há
E lá, num canto do meu dia

Penso em coisas e pessoas
Lembrança só tenho da boa

Agora vou descançar
Pensar no dia que foi

Pra o que vier depois
Ser ainda bem melhor

Agora sim, vou sonhar
A vida é mesmo assim

Não acho nada ruim
Não tenho o que reclamar

12 e 12/10/08

30/07/2009

Sensibilidade

Ando sensível demais
Tudo me dói e eu sinto muito

Porque me sinto assim?

O passado, o presente
Até o futuro me fazem verter lágrimas

A crise avança, me domina
Eu não sei reagir

Faço coisas, faço planos
Faço o que acho que devo fazer

Outras coisas nem sei fazer

Também nem sei o que
Sei que me dói

A alma
E a palavra

Essa sinto querer vir à tona

Antes que eu desmorone
Ela não me deixa calar

2009

Para Boba, pelos seus 80 anos

Só aos nove anos de idade eu fui batizada. Isso me deu uma oportunidade que poucas pessoas tem: poder escolher os meus padrinhos. Não foi à toa que escolhi tia Céu e Boba para ocupar esse posto, haja vista o contato constante que tinha com eles, pelo fato de que todos os sábados e domingos, logo cedo da manhã, Boba chegava lá em casa para me buscar para passar o dia com Socorrinho.
Quanto tempo isso faz? Não quero nem lembrar. Mas não quero esquecer que, entre as coisas boas da minha infância consta uma relação bem estreita com aqueles que escolhi para me apadrinhar.
Hoje, alguns anos passados da minha infância, volto a me sentir privilegiada por estar comemorando os 80 anos de Boba , junto às principais pessoas que compõem a sua vida.
Peço, portanto, a Deus, neste momento tão importante, que o cubra de bênçãos e continue permitindo que ele seja essa pessoa de bem com a vida que tem sido ao longo destes anos.
Diferente de mim, minhas filhas praticamente nem um contato tiveram com Boba, vindo conhecê-lo pessoalmente depois de bem crescidas. Isto, porém, não as tornou indiferentes a ele e quando aconteceu a aproximação houve uma empatia interessante, justamente pelo que elas ouviam falar a respeito dele, constatando no momento da apresentação, a pessoa alegre e legal que ele é. No dizer delas, “uma figura”.
É assim que estamos encarando este momento singular, onde alguém de alma tão jovial, comemora oito décadas de existência neste mundo. Refletimos então, o quanto a vida é efêmera e como ela tem de ser aproveitada sempre da melhor maneira possível. Vendo na “figura” de Boba, um bom motivo para nos alegrarmos e celebramos esta que é a maior dádiva que Deus nos deu: A VIDA.
PARABÉNS, BOBA! E MUITOS ANOS DE VIDA E ALEGRIA.

Lola, em 22/07/09

09/05/2009

Sobre eu ser quem sou


É engraçado como muitas vezes deixamos marcas sem perceber.Engraçado também, é como pensamos que certas coisas que dizemos,estão sendo bem recebidas pelas pessoas, e muitas vez nem estão...
Quero falar da minha escolha de fazer vestibular para Ciências Sociais. Lembro que pedi orientação a Zé, um dos tantos irmãos que tenho, e ele sem muita dificuldade, me falou do peso que é o curso; do quanto se precisa estudar para se tornar um cientista social.
Eu sabia que não era estudiosa, sempre fui dispersa nas aulas que não eram muito do meu interesse. Fiquei então, pensando sobre as afirmações do meu irmão, que me orientou para prestar vestibular para pedagogia.
O que ele não imaginava era que, além de ter sido aluna de Fábio Freitas e ter me envolvido com uma maneira que ele trata a história, de um modo que desconhecia até então, que me empolgava cada vez mais com a possibilidade de fazer algum curso relacionado, tinha tido, bem antes, a oportunidade de vivenciar meus até então 18 anos de idade, compartilhando com ele (Zé) a cotidianidade, naquela casa tão cheia de pessoas e tão envolvida em discussões, debates e conversas de alto nível intelectual.
Sou a décima primeira filha, de uma turma de treze, e fui agraciada com irmãos mais velhos que muito me ensinaram até mesmo sem se darem conta disso.
Das brincadeiras de casinha, passando pelos jogos de pedrinha e até as festinhas de São João, com as quadrilhas no jardim, em tudo eles se envolviam e de todos os momentos tirei proveito.
Ter irmãs bem mais velhas é meio como ter mais de uma mãe. E dependendo da hora, do momento ou do acontecimento, elas se revezavam nesse papel.
Eu costumava ir ao quarto onde dormiam Graça, Leta e Mª Eunice e me enfronhava entre os seus lençóis, ora de uma ora de outra, o certo é que eu buscava naqueles momentos, o aconchego que só se sente quando se ama e se sabe amado.
Buscava também, não posso negar, o calor de uma cama sequinha, em que ninguém tinha feito xixi, como era o caso da minha. E era lá, no quarto das minhas irmãs mais velhas, que eu encontrava tudo isso.
O tempo ia passando e eu ia crescendo. Até chegar à universidade, já casada e com duas filhas. Fiz o vestibular aos 21 anos e iniciei o curso apenas dois anos depois, prestes a completar vinte e quatro.
Quanto mais estudava mais me apaixonava pelas ciências sociais e principalmente pela antropologia. A cada semestre me sentia mais identificada com todos aqueles conteúdos e ratificava certa facilidade de interpretação que tinha, e um jeito de escrever, (lembro-me que uma professora de antropologia comentava sobre um tino antropológico que percebia em mim) se justificavam pela minha história de vida; pelos bons colégios que freqüentei e pelos irmãos que, desde o primeiro momento do meu processo de socialização, me influenciaram.
Chegou um momento em que passei a andar com as minhas próprias pernas e a me sobrepor a todos eles em algumas questões relacionadas ao âmbito da minha área de estudo. Não era pra menos, me tornei mestre em sociologia e passei a lecionar em faculdades.
Percebo que às vezes sou incompreendida no que falo, mas percebo também certo respeito que conquistei de todos eles.
Hoje sou mais eu em muitos aspectos, e é bom que seja assim. Mas jamais deixarei de enaltecer a minha família, primeira instância social, no dizer da sociologia, como sendo a égide de tudo o que sou.
Se sou muito ou pouco, não me importa. O que me importa mesmo é esta certeza de que a minha família eu não troco, não vendo, mas posso até emprestar a quem desejar, se for o caso, para que outras pessoas experimentem um pouco do que recebi de bandeja de Deus, nosso Senhor: pai, mãe e irmãos e irmãs, que muito contribuíram para eu ser quem sou.

Sobre a luminosidade ( Pelo nascimento de Paulo Fernando)

Como a luz que entra pela fresta
E logo ocupa o espaço que quiser

A criança nasce, despretensiosa e bela
E toma conta da vida da mulher

Que de mulher passa a ser mãe também
E como mãe, faz tudo o que puder

E o que não for de sua alçada entrega
A Deus, para que Ele tome providências

Não meça esforços em prol do seu bebê
Pra que a luz, que já nasce com a criança

Se perenize e transcenda o berço
O acompanhe e o faça crescer

Crescer tal qual a luz que por uma fresta
Toma espaços, invade e prolifera

Sem perceber nada que a ela impeça
De ser a luz que ela bem sabe ser

E assim nascer, viver e só crescer

07/05/09

06/05/2009

Manhã







“Manhã, tão bonita manhã
De um dia feliz que chegou”


E com ela os convidados
Entre eles festejavas


Mais uma neta que casa
Dia de visita pra ti


Para mim a esperança
De te ver em cada canto


Na euforia da noivinha
Nas lágrimas de emoção


De quem como tu, é doce
E desposa tua querida


Enchendo-te de orgulho
E te deixando tão contente

“Canta o meu coração
Alegria voltou novamente”

Lola em 04/05/09

10/03/2009

Porque somos irmãs

Porque somos irmãs dividimos

Amor

Carinho

Atenção

Aparência


Porque somos irmãs somamos

Valores

Sentimentos

Percepções

Confidências


Porque somos irmãs subtraímos

Da vida as decepções


Multiplicamos sonhos e esperança

Porque somos irmãs


E é tão bom

02/03/2009

Sobre a estrela do Xerife

E a musa do Xerife entristeceu-se
Mas não baixou a crista e se ergueu
Com forças que nem Sansão com seus cabelos
Com tranças que nem ele teve iguais

Agora jaz uma saudade imensa
E ela haverá de saber suportar
Até porque só sente dessas coisas
Quem verdadeiramente sabe amar

E quem amou, e foi, e é ainda
Porque amor que é de verdade não se acaba
Sofre a saudade a mulher amada
Mas sofre mais quem nunca teve amor

E de tudo que se foi restou lembranças
Muito além do que sempre se esperou
Amealhadas por toda uma existência
Vivendo ainda, além da eternidade
Porque a estrela do Xerife não apagou.

Sebá

Recebi do amigo Sebá, uma fotografia dos tempos de faculdade. Mais que alegria, a foto me despertou para algumas coisas que nem sempre se pensa, principalmente em tempos que não nos dão o tempo suficiente para reflexões mais profundas. Naquele que a foto revela, “éramos alegres e jovens”, no dizer de Caetano.
Voltei à UFPB, ao tempo da graduação, que segundo o próprio Sebá, nos fazia a todos “marxistas”.
Aquele, certamente era um dia festivo, já que alguns estão com copos nas mãos. Passei então a ouvir o som que vagava pelo C.A de Ciências Sociais, os burburinhos, as misturas de vozes...a alegria que geralmente permeava o ambiente. Vi João perguntando por Dulce, Charlinho fazendo poemas, Ballo com seus shorts muito curtos, Francimar e Henrique naquele namoro velado... E claro, eu e Mara inseparáveis. Ah, Sebá sempre por perto, conversando sobre tudo, de marxismo a machismo... E como sempre foi feminina a sua alma... E como sempre foi benquista a sua presença...
Sebá é uma daquelas unanimidades que nada tem de “burra”. Querer-lhe bem é quase uma imposição que ele nos faz, devido ao seu trato fino, delicado, alegre e cheio de sabedoria. Disse sabedoria; o que o diferencia e muito de alguns intelectuais que, apesar de terem muito preparo sobre alguns assuntos, lhes falta a sabedoria para a vida.
Sentimentos não me faltam a respeito deste meu amigo, mas confesso que me tenham faltado as palavras certas para concluir esse breve depoimento. Busquei então trechos de um lindo poema que seu irmão escreveu pra ele e que me arrepia a alma a cada vez que o leio:

“[...] Porque a vida pra funcionar
Conta, sim, com um pouco de tristeza,
Mas pra azeitar seu funcionamento
Há de haver um Sebá em cada mesa.

Sebá é o fermento, é o sal
Da comida nascida desde a terra.
Hoje o mundo tem guerra e carnaval.
Sem Sebá ele só teria guerra.”

02/12/2008

Emoção ( Para Talitta, pela conclusão da monografia)

Tudo fala

Em Talitta nada cala
Emoção é seu poema

Alegria ou dissabor
Gosto de mel ou De fel

Em Talitta tudo habita

E a vida assim cintila
E ainda fica mais bonita

30/11/2008

Da imensidão do coração ( Para mamãe, pelos seus 82 anos)

“Meu coração tem catedrais imensas”
Nele há torres, altares e vãos
Onde habita o que há de mais sagrado
Neles eu faço a minha comunhão

Sinto pulsar o coração e a alma
Eternamente grata pela vida
Falo com Deus, digo dos meus anseios
Por eles passam a felicidade
De ver-te sempre bem e com saúde

E ainda mais com sorrisos nos lábios

Braços abertos, sempre me esperando
No aconchego dos teus sentimentos
Que de sentir às vezes nem se lembra
Que há tantos outros pra também “cuidar”

Se fixando em um só pensamento
Vivendo então, para realizar
Então salvar a ovelha desgarrada
Tentando dar-lhe aquilo que imagina
Não ter acesso, ter-lhe sido negado

Se desdobrando pra fazer tudo certo
E concertar os “erros” do passado
Vivendo agora e imaginando
Que o futuro pode mudar tudo

E só então ser feliz de verdade

Lola (29 e 30 de novembro de 2008)

29/11/2008

DANADINHA (Para Lilica)

Danadinha, espevitada
Cheia de graça e ternura
O que se destaca nela
É seu jeitinho safado

Cheio de brincadeirinhas
Parece até criança
Dessas que mesmo o trabalho
Que ela dá faz sorrir

Mesmo sem deixar dormir
Quando quer brincar e brincar
Não dá para disfarçar
Que a queremos muito bem

Pois o rabinho que ela tem
Que balança sem parar
Como querendo falar
Que também gosta da gente

Convida-nos a chegar
Cada vez mais, perto dela
Fazer umas piruetas
Jogar pra um lado, pra outro.

Esperar que ela dê o troco
Em lambidelas gostosas
Como que agradecida
Por receber um carinho

Um afago, um gestinho
Que a deixou satisfeita
Mas mesmo assim não dê trégua
E insista querendo mais

É isso que ela faz
Ocupa-nos o dia inteiro
Mas Deus nos livre de um dia
Viver sem esse entrevero.

02/11/2008

Eternamente papai (Sobre o dia de finados)

Hoje é como se fosse o dia dos pais
É o dia do meu pai
Pois ele jaz, em algum lugar do mundo
E eu aqui, sinto saudades
Do tempo em que pra mim este dia não tinha significado
Tenho agora o segundo domingo de agosto
E o dia de hoje pra celebrar
Aquele que na terra, foi e sempre será
Meu pai querido
Tenho na verdade, todos os dias da minha vida
Pra dizer da falta e dizer do amor que sinto
Jamais falarei no tempo pretérito
Pois ele é e sempre será, pois é eterno

Os meus mortos

Os meus mortos são mais vivos, que muitos vivos por aí. 
Se já não estão mais aqui, em lugar bem mais guardado se encontram - dentro de mim.
E daqui não sairão.
Seja inverno ou verão, primavera em mim será,
Pois jazem, dentro de mim,
Folhas de outonos passados.

16/10/2008

Quadro negro

Olho pro quadro
Vejo negro
Vejo nada
Vejo culturas massacradas

Olho pro negro
Pinto quadros
De belezas multifacetadas
De capacidades
Resistências

Do que é agora
Do que será
Do que já foi
E a escuridão dos dias que vieram depois

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