"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

02/06/2020

Envelhecer?

Sempre ouvi dizer que envelhecer é ficar velho, usado, desgastado, próximo do fim. Preferi pensar que o fim, nem sempre chega com a "velhice". Se chega ao fim quando se desiste de viver, seja literalmente, seja simbolicamente. Bem como, pode-se chegar ao fim ainda jovem. Temos notícias de muitos jovens e crianças que já se foram dessa vida.
Pensando assim, passei a refletir sobre meu próprio envelhecimento próxima aos 40 anos. Hoje, aos 55, me percebo dentro de um processo de envelhecimento, mas longe ainda, de ser velha, propriamente dita, de acordo com a visão da sociedade.
Há 13 mêses, me submeti a uma cirurgia bariátrica, que me ajudou   a perder mais de 40kg, o que me permite perceber que hoje minha aparência está mais jovial que há 10 anos.
E então, como considerar apenas o passar do tempo como propciador de deterioração do corpo, que nos faz sermos vistos como velhos, se existem outros fatores que provocam tal deterioração, aparência ou mobilidade limitada?
Bem, não vou aprofundar essa reflexão, apenas expor minha impressão que não apenas a idade nos envelhece. Circunstâncias de doença, acontecimentos, sofrimento, também nos tornam mais velhos, embora a idade seja realmente o referencial social.
Como me sinto aos 55 anos? Como alguém que viveu bem até aqui e que deseja continuar vivendo bem. A noção de viver bem tem mudado um pouco e isso me faz alterar meus planos, aqui, acolá. Porém, o gosto pela vida, me inspira a querer mais e mais.
Vou seguindo, dentro da minha lógica de viver bem, "não desejando mal a quase ninguém", como diz Lulu Santos. Pois entendo que as relações que estabelecemos favorecem ou não, ao nosso bem estar. E buscando me conhecer cada vez mais, tendo assim, uma base para conhecer as pessoas com quem me relaciono.
Aposto no amor, como sempre fiz, para tornar os dias agradáveis. Embora entenda que, nem sempre o amor é reconhecido se não for romanceado. E o que tenho feito é justamente aceitar que, não é necessário a um sentimento tão nobre o véu do romance.
Envelhecer, pra mim, é processo de auto conhecimento, que ajuda no conhecimento sobre o mundo em que vivo e que pretendo melhorar. E pra isso, é necessário arriscar alguma coisa. E isso depende do momento.
Então ouso, às vezes, arriscar. E faço isto na espectativa de não estagnar, pois se o fizesse, aí sim, me sentiria envelhecida.
Viver é bom e eu curto muito.
Gostei de viver a infância, a adolescência, a juventude... Agora, busco me preparar pra viver a " velhice"... Espero que a alegria de viver, que me acompanha desde sempre, não me decepcione. Sei que muito depende de mim, como em qualquer relação. É isso - pra mim, o envelhecimento é relacional. Então, no que tange à minha participação na relação com o envelhecer, posso dizer que me sinto aberta. Acredito que isso facilita muito as coisas.
Avante!

Maria do Rosário Nascimento Araujo

27/05/2020

Pontos e pespontos (sobre o dia da costureira)

Dia 25/05 foi "comemorado" o dia da costureira.
Hoje, não por acaso, assim espero, o canal Max apresentou o filme Revolução em Dagenham, que tem como enfoque a luta das costureiras da Ford Motors, no Reino Unido, do final dos anos 60 ao início dos anos 70.
Quando pensamos em costuras, chegamos a visualizar cenas de avós costurando para seus netos, tentando, ao tempo que se ocupam com algo prazeroso, presentear mimos, nem sempre bem acolhidos ou quando muito, que serão passados de geração a geração, como algo longínquo, um fazer remoto.
Dificilmente, conseguimos vislumbrar o trabalho de costureiras com teor mais concistente. E olha que eu percebo concistência inerente ao exemplo citado, das costuras das vovós. Sou uma delas - adoro costurar para meus netinhos. E como percebo! Pra mim, a linha tênue que separa o que realmente importa nesta vida e o que não deve ser tão valorizado, passa pelo encantamento que permeia as ações revestidas de sentimentos. Aquelas que não se dão de forma automática, mas ao contrário, são tecidas com suor, lagrima, sorriso.
Ao assistir o filme Revolução em Dagenham, lembrei de conversa recente, com um amigo, sobre costuras, na qual a lembrança da minha infância, lugar dos meus primeiros pontos, me aproximou ainda mais da imagem que tenho da minha mãe, com quem aprendi a costurar desde tenra idade.
Hoje assistindo ao filme, além de tudo que já sei e sinto sobre o fazer das costuras, me fortaleceu a idéia de que nenhuma atividade é menor que outra. Que todas, indistintamente, compõem o cenário do mundo do trabalho, que deveria seguir a máxima do dignificar o "homem".
Volto sempre à primeira peça que costurei. E com sorriso no rosto, lembro de como as estratégias contam em tudo o que podemos realizar. Da sobra de uma flanela branca, que papai comprou para mamãe coar café, (até hoje o café lá de casa é coado em flanela), fiz uma mini saia, lá no início dos anos 70, ornando-a com um pompom, que minha irmã , minha Maria número 3, me ensinou a fazer. Tempo em que, a partir da luta das costureiras da Ford de Dagenham, os salários das funcionárias tiveram equiparação salarial com o dos trabalhadores homens.
Costurar, para mim, sempre foi uma forma de expressão. Hoje reitero esta visão a respeito de uma atividade tão importante para a vida social, mas só valorizada quando relacionada ao meio da moda e das grandes empresas.
Como tudo na vida, o fazer da costura ganha e perde privilégio de status a partir de interesses. Devemos expor os nossos, para que não apenas sobressaiam os espúrios, os mal intensionados.
O filme citado mostra a luta de mulheres trabalhadoras no final da década de sessenta e início da de setenta, como já coloquei, mas muito antes disso, mulheres já lutavam em outras frentes. Desde que o mundo é mundo, mulheres trabalham, embora tenham tido seus trabalhos invisibilizados. E desde sempre tiveram suas demandas. Muitos, senão a maioria, dos avanços relacionados ao mundo do trabalho, são frutos da luta feminista. A mulher, em muitas culturas, consegue ampliar suas áreas de atuação pela noção estratégica de sobrevivência, se tornando capaz de implementar a multiplicidade e pluralidade de ser.
Com a minha mãe, aprendi da singeleza da vida que é ela que a faz bonita. E gosto da beleza da vida. Com meus pontos, pespontos, alinhavos, tento deixá-la um pouco mais amena e consigo. Por isso encontro com facilidade o sorriso. Mesmo em tempos que insistem em incobri-lo.

Lola (27/05/20)

29/04/2020

Ensejo

Romance sem mel,
Sexo sem pimenta,
Amor sem amizade,
Quem é que aguenta?
Eu gosto de tudo,
De tudo mesmo.
Por isso não vivo sem desejo.
Então se é isso
Que me propões,
Vou aproveitar,
Tirar uma casquinha
E curtir o que vejo.
Viver de alegria,
Te matar de beijos,
Enfim, ver o que dá
Do meu querer gostar.
E me deliciar
De todo ensejo.

Lola (21/04/20)


23/04/2020

Quarentena

Tenho pensado muito nos últimos Dias... Pode até parecer que seja efeito do tempo sobrando. Mas não... Não tenho tido tempo de sobra, pois me ocupo grande parte do dia. Cozinho, limpo a casa, escuto músicas, vejo filmes, converso on-line, rezo... Mas não deixo de pensar...
Penso na vida, na morte, no devir... Penso demais, principalmente, na pandemia que nos assola.
Dentre as coisas que vêm ao meu pensamento, está minha predisposição à oração, tão comentada por mim. Costumo dizer que a oração é o meu principal dom, mas tenho passado por momentos em que ela não me chega facilmente, como sempre a percebi.
Penso no ano passado, que considerei maravilhoso e cheio de oportunidades de reconstrução da minha vida. Penso no início deste ano, que considerei tão complicado, visto que acontecimentos me levaram à reflexão  sobre mim mesma e como isto tem afetado meu modo de me enxergar, que eu tinha como tão sólido, embora multifacetado e mutável.
O terceiro mês do ano, quando o mundo se deparou com uma pandemia e nos fez, a todos, entrar em quarentena, já me encontrou fragilizada e insegura. E isto só tem crescido nestes dias, embora eu busque alternativas de superação.
Dentre as alternativas, a introspecção, a busca de entendimento dos desígnios de Deus. A pergunta que faço constantemente: O que Deus espera de mim, neste momento que imagino, seja de transição? E mais: O que eu espero de mim? Quem sou realmente?
Percebo que este ano tem me mostrado alguns aspectos de mim que eu, ou desconhecia, ou escondia de mim mesma. E é nisso que reside meu conflito - a descoberta de uma faceta meio que desconhecida e não tão agradável. É meio decepcionante isto... Penso assim... 
Porém, apesar de , "nem tudo ser flores", nem tudo também é deserto. Há beleza em meio ao caos, e esta, pra mim, vem se mostrando no aprendizado pessoal. A intimidade com Deus, tem me feito recuperar a impressão a meu respeito, através de diálogos que só eu consigo entender. As respostas me vêm como luz clareando meus dias. E volto a respeitar meu jeito de ser, a reconhecer alguns motivos que me levaram a agir de certas maneiras e a entender que, embora não seja perfeita, tenho facilidade em captar as lições que a vida me impõe e aproveitá-las em prol da minha evolução como pessoa.

Lola (meio perdida quanto ao início da escrita, supondo que o término se deu em 30/06/20)


21/04/2020

7 mêses

7 mêses separam uma foto da outra. Além do impacto da imagem, considero o que não é aparente. As pernas cruzadas revelam que a artrose nos joelhos, a artrite, os problemas circulatórios, estão sendo sanados, o que me proporciona num ato tão simples de sentar descontraídamente, perceber que estou num processo de reconstrução de mim mesma. Louvado seja Deus por isto.🙏

Descabelada

Eu acordo assim, descabelada.
De maquiagem,meu rosto não tem nada,
A não ser, um restinho do batom,
Que por ser matizado sempre fica.
Não me acho assim, muito bonita,
Mas me amo e me respeito, imensamente.
Não é por estar desalinhada,
Que a mim, o meu semblante não agrada.
Vejo além das aparências e aprecio.
Eis o porquê deste meu desafio
De postar uma foto desarrumada.

Lola (09/03/20 - amanhecendo refletindo sobre o peso da beleza sobre as mulheres)

20/04/2020

Você

Preciso de poesia nos meus dias.
É ela quem me faz acreditar
Em cada palavra que escrevo e que sonho
E que nem existiriam sem você.
Ah, do que me importa se caio, as vezes, na real
E vejo a vida, o dia a dia tão banal?
O que importa é vislumbrar o vir a ser
E de quando em vez,
aproveitar a insanidade
Que me domina quando penso em lhe querer.
E que transforma simples gota em tempestade
E me afaga a alma ao perceber
Que tudo me conduz ate você.
E que a distância diminui ao escrever.

Lola ( 03/04/20)

Prazer fotografado (Para Talitta e André)

Prazer fotografado - Algo raro, mas existe.
E eles insistem no afeto que, de fato, os torna unos.
Seja na dor ou alegria, seja noite ou dia seja,
Sempre há lugar pra essa beleza que chamamos alegria.
De estar junto, caminhar,
De ir a qualquer lugar, sempre para se encontrar,
Pois o bom da vida é estar junto.
De quem se ama, de é
De oração, comemoração.
De toda energia boa que só se emana para pessoas
Que compartilham sorrisos,
Que se sentem vivos,
Que são mais que amigos.
Sim. São mais que amigos.

Lola (01/09/19)

Da sedução

Tenho me revisitado e me seduzido pelo encontro comigo mesma.
Não me preocupa saber sobre os olhares que a mim chegam, vindo de fora.
É dentro de mim e a partir do meu ponto de vista que me analiso.
E é bonito o que encontro, já que não exijo tanto de mim.
Me aceito assim, como sou. Me amo e supro de bem querer em todas as fases que percorro.
Não preciso de socorro pra me aceitar como estou.
Mas se não me satisfaço com tudo, busco melhorar.
Assim se deu a opção pela bariátrica, tendo nela um suporte de "responsa" pra implementar mudanças necessárias.
Mas o amor por mim mesma, a auto estima, o cuidado, sempre estiveram comigo.
Talvez por isto mesmo, cheguei a fazer escolhas que responderam a cada momento do processo.
Nada tem se dado por acaso ou descontroladamente,
Tudo vem acompanhando coerentemente o meu estado emocional, que reflete tanto quanto é refletido na minha realidade atual.
Sem essa de "se eu soubesse teria feito antes"... Sem aquela de "voltei a me amar"... Foi o amor que sinto por mim mesma que me fez caminhar até aqui... Ainda chegarei ali, acolá, alhures...
Deus e meu anjo da guarda sempre me acompanham nessa jornada chamada vida.
Por isso ela é tão linda e querida... É minha vida, minha história, meu corpo, minha mente, minha alma.
E minha aura é iluminada de tudo que ainda desejo e que, como um beijo, não usurparei de ninguém. Conquistarei, como fiz até agora,  tudo o que me compõe e me faz ser Lola,  Maria, Rosário.
Sou um bocado de experiências e vivências. Sou o que sou e os meus contrários.
Na dialética da vida, estou feliz e decidida.
Lola (01/09/19)

Eu vou / Eu fui

Eu vou

Estou pronta. Vou ao encontro dos Nascimento. Momento de confraternização de uma grande família, que tem em comum a descendência de vovô - João Domingos.
Enquanto me maquiava, na tentativa de me por bonita para os meus, refletia sobre o que mais nos identifica. Será a aparência? O jeito de ser? O sangue que corre em nossas veias? Apesar de considerar todas as possibilidades, creio que, pelo menos neste momento, o que mais nos aproxima é está vontade de ir. Ir à casa de Lucinha, que gentilmente abre as portas para nos acolher.
Acolhimento, sentimento de aceitação, de pertença. É isto que nos unifica hoje - o desejo de ir. E eu vou. Você vai?
A esta pergunta, responderão sim os que terão as condições objetivas de se fazerem presentes. Aos demais, certamente não faltou o desejo, a vontade de ir, e com pesar justificarão suas ausências.
Muito importante, ao meu ver, é entender que o sangue, per si, não justifica nada, apesar de ser um importante aspecto. Digo isto ratificando o desejo de encontrar Boba por lá e de sentir, entre tantas ausências lindas, as de tia Hozana, Zeneida e tia Elvira -  queridas tias. Não mais e não menos do que as consaguinias, tanto quanto.
Mamãe, tia Deta, tia Céu, tia Neves, tio Neco, tio Joca, Sandra, Graça, Carlinhos, Conceição - presentes! Sempre presentes em nossos corações e em nossas vidas. Em tudo o que somos. E assim será eternamente... Os que irão, ficarão nos que ficarem... Assim, perpetuaremos a família Nascimento. Assim seja... Amém!

Lola ( me preparando para ir ao encontro dos Nascimento)

Eu fui

Foi maravilhoso o nosso encontro. Parte dos Nascimento esteve junto ontem, na casa da prima Lucinha, filha de tia Detinha, imã de mamãe.
Ratificamos a beleza do encontro e pudermos ser um em muitos. A unidade na diversidade fez a festa. Não teve lados opostos, partidos, times de futebol, que nos tirasse o foco de sermos apenas Nascimento, nesta tarde e noite de sexta feira, 15 de novembro de 2019.
Eu fui e sinto pelos que não foram.
A FAMÍLIA É TUDO! \o/

Bolo de aniversário

O dia 30 de novembro sempre foi de festa em família - aniversário de mamãe. Quantos deles  festejamos juntos... Como sempre foram alegres dias...
Desde que comecei a  namorar Rostand, em 1981, passei a comemorar esta data duplamente.  Hoje tem festa no céu e aqui festejamos a vida de Rostand. O bolo foi feito por encomenda, por dois anjinhos que Deus nos enviou, para que nunca deixemos de comemorar esta data e agradecer a Ele a dádiva da vida.
Muito a agradecer, nada a reclamar. A saudade, ao mesmo tempo que machuca, nos serve de alento, pois só o que é muito bom deixa saudade.
Parabéns para mamãe!
Parabéns para Rostand!
Viva a vida!
Louvado seja Deus! 

Detalhes de uma fotografia

Na mesa, Heitor e a menininha se entre olham (é crush).
Atrás, as irmãs comungam do momento especial e revelam mais do que a imagem.
É dia de celebrar a vida de Talitta
E Alice curte tudo e mais um pouco
- o click eterniza o momento do jogo.
Fecha-se a lente e o que se sente,
É que o momento foi vivido.
E foi lindo comemorar mais um ano vivido.
E que outros venham cheios da alegria
Que se irradia na gratidão sentida.
A Deus, nosso Senhor, toda glória e honra.

Lola (vivenciando o aniversário de Talitta)

Saber de si

Saber de si - O melhor conhecimento que existe.
Quem consegue entender quem é, prescinde da observação alheia.
E mesmo que olhares vis e caras feias
Enxerguem apenas o que desejam perante a sua imagem,
Distante estarão da sua verdade - a essência só tocada apenas por você.
E é nela que deve haver investimentos que contribuam com seu crescimento.
De resto, o que importa é mesmo você.
Olhares vis, caras feias, passarão... Olhar de desprezo,  passará...
Você sempre estará lá.
Pronta para abraçar os seus anseios e descartar os alheios...
Sendo alheia a tudo, menos a você.
Lola (30/01/20 - refletindo sobre mim)

17/04/2020

Primeiro aniversário

Geralmente quando se completa um ano de cirurgia bariátrica, as pessoas festejam, se alegram e se orgulham do peso que perderam. Eu prefiro computar o que ganhei neste ano.
Ganhei saúde, pressão arterial 11 X 7, tachas sanguinias normalizadas, 0 gordura no fígado, diminuição em mais de 90% das dores crônicas, noites bem dormidas, condições para me exercitar, mobilidade, auto estima.
Posso dizer que ganhei, na verdade, uma vida nova. E é ela que celebro neste dia 08 de abril de 2020.
Perdi 41 kg e ganhei uma infinidade de presentes. Agradeço a Deus por tamanha bondade comigo. E agradeço também a quem faz parte dessa história de superação e de transformação positiva - @Dr.EduardoPachú,  @AnaPaulanutrição, @DanilloAlves, @ElainePachú @Icoep.
A vida é pra ser vivida por inteiro e "cada um sabe a dor e as delícias de ser o que é". E é capaz de buscar o caminho certo a trilhar para alcançar suas metas.
Salve o dia 08/04/20!  

Da pausa necessária

Há quem pense que não se dá pausa em filme que se está aprovando. Nem a livro. Eu discordo. Compulsiva como sou - minha terapeuta diz que não sou - me diagnosticou como ansiosa - muitas vezes devoro o alimento da vez, seja comida, propriamente dita, livro, filme e até playlist. Outras vezes, porém, guardo um pouquinho, pra me deliciar num segundo momento e assim realmente degustar e não engolir sem sentir o gosto devido.
Acaba de acontecer algo do tipo. Com mais de dois terços assistidos do filme Uma Beleza Fantástica, pausei e vou iniciar meus afazeres do dia.
 Equanto tomei o café matinal, comecei a assistir. Percebendo o desenrolar encantador, dei um tempo, na tentativa de prolongar o prazer.
 A mesma coisa fiz com este texto.  Três dias se passaram, desde o início da escrita, até eu voltar a escrever, embora tenha dado continuidade ao pensar a respeito, neste interin...
 Nada é concluído, findo... Mesmo agora, quando me volto mais uma vez ao texto, não tenho pretensões de esgotar suas possibilidades. Nem acredito nisto.
Nestes tempos de pandemia do Covid19, quando precisamos nos enclausurar, curto o estar em casa,  as pessoas que estão comigo, sinto falta das que não estão, as busco virtualmente, cozinho, costuro, cuido da casa, das plantas, vivo... E vivo também a preocupação do porvir... Tento, a partir da fé, não esmorecer e vislumbrar novos tempos. Afinal, estamos vivendo um tempo catártico. E a catarse é individual e coletiva, o que não deixa de ser ser um alento.
 Alento - é isto que busco ao escrever... É este o motivo deste texto existir. Assim mesmo - pausado, pensado, repensado.
Quem sabe continuarei a escrevê-lo outro dia...

Lola (14 a 17/04/2020)

08/04/2020

Meu Anjo

Sonhei com um anjo
De cachos loiros, alva aura.
De auréola translúcida semblante pleno.
Seria perfeito o anjo dos meus sonhos,
Não fosse a ausência de asas.
Asas tenho eu, que vôo alto enquanto durmo.
Velada pelo encejo de reencontrar meu anjo.
É sempre um reencontro prazeroso...
Fico a espera de sonhar de novo...

Lola (08/04/20)

31/03/2020

Verde mar

Não me olhe com esse olhar verde mar.
Não me traia com um olhar que me faz cair
Em tentações, devaneios,com receio.
Não se entregue ao ponto de me fazer acreditar.
Põe óculos escuros, peço por favor.
Deixa o amor que ainda dorme continuar a sonhar.
Mas não me olhe assim... Já que nem posso me apaixonar...
Como poderia, se nunca deixei de estar
Envolvida com esse olhar que me fita e me faz mais bonita?
Fecho os olhos e vejo o verde do teu mar.

Lola - 29/03/20 (em meio ao caos da quarentena)

08 de março

Hoje é nosso dia,
Tanto quanto  foi ontem e  será amanhã.
Porque somos seres humanos, pessoas, gente...
Da melhor qualidade... Ou não...
Mas o dia de hoje tem uma atmosfera especial,
Faz referência a lutas históricas, a conquistas.
Nada nos foi ofertado de bandeija,
Construímos o que somos hoje
E continuamos na luta, a elaborar o que virá.
Pelo que fomos, pelo que somos e pelo que poderemos vir a ser,

22/12/2019

Roupinhas de Natal

Estamos a 3 dias da véspera da festa que eu repulto a mais linda do ano. O Natal, per si, dispensa comentários, mas no nível individual, para mim, é repleta de aspectos simbólicos e me preenche todos os sentidos.
Depois de um dia envolvida com as costuras das roupinhas dos netinhos (Natal pra mim tem de ter roupinha exclusiva), varei a noite pra poder acelerar o processo de confecção de um vestidinho para Alice. Não por acaso, escolhi um modelo que me trás muitas recordações e afaga o meu coração saudoso.
Sinto muitas saudades de minha mãe, embora consiga perceber que ela nunca se apartou de mim. Ela vive em tudo o que sou, e um dos aspectos que mais exemplificam tal afirmação é o meu amor por costura. Costura afetiva, diga-se bem.
Quando falo em sentidos, não é apenas de forma genérica. Digo sobre o sentir com os olhos, ouvidos, nariz, toque... Isso tudo permeia o meu fazer de pessoa amante da costura e seu simbolismo.
Apartir da escolha do tecido, sentindo seu caimento e o TOQUE na pele, seu cheiro, sua cor, VEJO minha mãe, que tanto sabia transformar meros tecidos em coisas tão lindas.
Quando parto para a mesa para cortar o tecido e sinto o seu cheirinho de coisa nova, me vem como por encanto, o PERFUME da infância, quando a via desembrulhar os pacotes, estender os tecidos, apresentá-los a gente...
A tesoura provoca um SOM maravilhoso, entre o tecido e sobre a mesa, me remetendo aos dias remotos, quando a espectativa da roupa nova me alegrava os dias, tanto quanto o amor que sempre me foi dado pela minha linda e terna mãe Nicinha.
Tudo emana e retorna a ela, mas nada tão intensamente quanto minha disponibilidade para encarar horas sentadas à máquina de costura, independentemente da hora do dia. Ontem varei a noite, como já disse, e era mamãe a minha companhia.
Dia destes, desenhei alguns dos vestidinhos da minha infância, que não saem da minha memória. Me veio o desejo imenso de reeditar cada um deles e presentear Alice. Estou dando prosseguimento ao projeto e, como tudo que me é caro, acho que vale a pena escrever e eternizar além do palpável, do visível, do vivido, pois acredito no poder da palavra para nos transportar  aos momentos. E este, sem dúvida nenhuma, é um momento lindo em minha existência.
Mamãe - presente. Sempre. Em minha vida, em mim em minha descendência. É terna, eterna mamãe... É terna sua lembrança, eterna em mim.

Lola, em 20/12/19 (emocionada nesta reta final do advento)

11/12/2019

A lua e eu

Houve um tempo em que a lua nem me dizia tanto... Tanto quanto me diz hoje, quando me conta das coisas belas.
Neste tempo  remoto, haviam outras formas de chegar a mim  a beleza da vida.
Eu ouvia os pássaros, corria pela rua descalça, jogava bola solta, pensando que era livre.
Minha liberdade me prendia em pensamento sobre o amor, sobre o amado...
E mesmo sem ser meu namorado, ele me fazia feliz.
O via como o principezinho via sua rosa - "única no mundo"...
Ele chegava a ser meu mundo e nada mais me importava além de amar.
Hoje ele reina em meu pensamento. Isto pra mim é um alento... Vivo assim...
Contando com a lua pra cuidar de mim.

Lola (11/12/19)


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