"Ando devagar porque já tive pressa..."

"Ando devagar porque já tive pressa..."
"Ando devagar porque já tive pressa..."

27/07/2020

Gostinho de céu




Eu tenho certa resistência às mudanças... Mesmo assim, estou aberta a elas e aproveito as oportunidades que a vida oferece.
Hoje experimentei um dia dos avós diferente dos oito que vivenciei desde que Alice me tornou avó - uma comemoração remota.
Eles me ligaram por chamada de vídeo, pela manhã. E no início da noite, demos continuidade às conversas e brincadeiras que havíamos começado.
Adoro conversar com eles assim e vê-los brincando e se esforçando (como se fosse necessário) para nos agradar. Hoje combinei de fazer uma geleia de morango, há alguns dias prometida, em tempo real. Eles viram todas as etapas e Alice até anotou o passo a passo. A geleia está pronta, fria e acomodada em um vidro. Amanhã o vovô Rostand irá fazer a entrega.
O sabor vai além dos morangos... Transcendeu pra gostinho de céu, disfarçado em casa de vó... Com a certeza de que minhas "formiguinhas" vão adorar, caprichei na doçura.
Se prestarmos atenção, há muitas coisas na vida que não tem preço, mas cujo valor é imensurável. Mimar meus queridinhos se enquadra numa destas coisas e me faz um bem enorme.
Vivi hoje um dia dos avós diferente,  mas muito bom. Claro que sinto falta dos abraços, beijinhos e cheirinhos deles. Mas conto com o amor que vejo em seus olhinhos e na sua alegria de estar conosco.
Agradeço pelo dia de hoje e, principalmente, pela condição de avó. E desejo a todos os avós do mundo, que logo estejam juntos aos seus netos e possam desfrutar de suas amorosas companhias. Que tudo isso logo passe e continuemos a ser felizes com o que tivermos para o momento. O que temos pra hoje é a certeza de sermos avós e isso nos basta.
O meu dia dos avós foi muito feliz. Espero que o de todos também.

Lola, em 26/07/20 - Dia de Santa Ana e São Joaquim, avós de Jesus)

24/07/2020

Pássaros e sóis

Pelos pássaros e sóis, adoro Venturini!
Mas não apenas isso nele me apraz.
Vejo nascentes, rios, flores, também gente,
Na sua música suave e envolvente.
Poesia pura e muito profunda,
Surge da voz que toca minha alma
E ela, embevecida e agradecida,
Segue seu rumo, inebriada.

Lola, em 23/07/20 (pelo aniversário de Flávio Venturini)

17/07/2020

Nada além de uma ilusão

Uma taça de vinho,
Queijo, azeite, pasta de tomate, manjericão, rúcula,
Paula Toler na TV.
Sei que muito mais se pode esperar de uma sexta à noite
Mas torno a minha perfeita assim.
Pensamento caminha e chega noutros tempos.
O presente não assusta mais que o devir.
Prossigo ouvindo música, vendo séries e filmes
Mas principalmente, escrevendo sobre o desejo de viver além do palpável.
E chega a ser, tudo o que escrevo.
Torno concreto minhas abstrações.e me alegro, apesar de tudo...
E até de nada...
Nada além de uma ilusão, já diz a bela canção...


Lola, em 17/07/20. ( Curtindo a live de Paula Toler, acompanhada de vinho e devaneios)

De sol e de lua


Carne de sol ou de lua? Questiona Alice.
Se a comemos no almoço, de sol, responde ela.
Se é no jantar que ela aparece, de lua, ora essa!
"É minha carne preferida."
Ah, não me diga!
De sol, de lua, eita menina!
Nada se compara a fazer as refeições em companhia querida.
A minha, certamente, é Alice, minha netinha linda.

Lola, em janeiro de 2016, na praia. Com a inspiração de Alice.

14/07/2020

Mamãe


Mais doçura, mais paciência, mais empatia, mais jeito para lidar com a vida...
Uma pitada da sua doçura me deixaria quase um favo de mel...
De sua paciência, me tornaria zen...
Da sua empatia, uma pessoa muito justa...
Do seu jeito de lidar com as coisas da vida, alguém muito sábia...
De tudo que não sobrava em você, pois que existia na medida certa, eu queria só um pouquinho. Faria um bem enorme, e não apenas a mim, mas tornaria a vida mais interessante a todos que cruzam meus caminhos.
Perfeição só existe de forma idealizada, mas há pessoas que conseguem, a partir do seu jeito de ser, emanar a luz necessária para iluminar muitas outras. Estas deixam marcas indeléveis, e sobre elas, falaremos pro resto de nossas vidas. Vidas marcadas por estes seres especiais, que nos são enviados para que aprendamos a ser melhores. Melhores até do que as vezes nos propomos.
Pessoas especiais deixam marcas e saudades especiais. E a minha saudade me faz sorrir e chorar, mas sobretudo, me sentir em estado de graça. E este estado perdura ao ponto de me fazer, vez por outra, tentar declará-la de alguma forma. Hoje, escrevo para tentar amenizá-la, ao mesmo tempo que reverencio a sua memória.
Mamãe, você vai muito além da saudade que sinto, do reconhecimento que tenho, das palavras que escrevo. Você vive em mim em tudo o que eu sou e em minhas tentativas de ser uma pessoa melhor. Por isso, hoje, com o coração cheio de amor, inicio este dia 13 de junho recordando o de nove anos atrás. Mas não sofro, embora sinta saudades e até chore. Por que você cumpriu em mim, sua obra, e se faz presença constante. E é por isso também que continua crescendo o amor que sinto, na proporção da minha admiração, respeito e reverência a você, minha mãe querida, amável e linda. Tudo o que eu sempre quis, tive e terei eternamente.


Lola, em 13/06/20, (constatando que saudade não mata)

Do amor que a quarentena não me tira


Do amor que a quarentena não me tira, aproveito como posso. Não que me seja fácil ou tranquilo, e as vezes consegue ser. Mas porque é a única maneira que tenho para desfrutá-lo. Claro que há dias de - não posso dizer revolta, pois não é, mas de introspecção - além de um tanto quanto melancólicos. Porém, na maioria deles, consigo vivenciar o amor dos meus netinhos.
Semana passada, um evento me deixou muito feliz, embora, como tem sido nesse tempo de pandemia e de distanciamento social, um pouquinho de tristeza me rondou. Falo sobre o que Priscylla, minha filha caçula me contou: Heitor, em fase de brincar de mágico, a transformou em mim. Disse as palavras mágicas e puf... – “Você agora é vó Loló “. Entrando na brincadeira, ela, prontamente passou a me imitar, no jeito e no tom da fala, o que o deixou muito admirado, a chamar Alice e dizer muito satisfeito: “Olha Alice, é vó Loló! Fala com vó Loló...”
Certas coisas, por mais que tentemos comentar, dividir com alguém, nos deixa uma vontade imensa de eternizar. É com essa intenção que escrevo a respeito.
Hoje, numa vídeo chamada de vídeo, estivemos juntos novamente. Isso tem acontecido quase diariamente. Percebi em Heitor, a necessidade de falar comigo. Era tanto “vó Loló”... Tanto “olha isso, olha aquilo”, me mostrando as coisas que fazem parte da sua vida doméstica... Então comentei mais tarde, com Priscylla. Logo mais, ela me enviou áudios, que gravou ao perceber que ele, já no berço, pronto pra dormir, fazia de conta que falava comigo... E continuava a conversa iniciada na vídeo chamada... Pri gravou parte dessa conversa do outro lado da porta do quarto fechado.
E aí, meu coração, que fazer com essa informação? - Tentar ser racional e não me abalar emocionalmente, embora esteja morrendo de saudades de encontros presenciais? Fecho os olhos e sinto os cheirinhos deles, de Alice e Heitor... Sinto falta das recorrentes visitas, das noites passadas comigo, dos beijinhos e abraços... Sinto falta de tudo... Menos do amor...Pois o sinto presente na ausência e em nossos encontros remotos - ou devo aproveitar a experiência para justamente ratificar o sentimento que nos une, incondicionalmente?                                                       
Acho que a união das duas opções é a atitude viável. Tentar ser racional ao ponto de não sofrer por algo, uma situação que não posso mudar, pois foge do meu controle, e ao mesmo tempo, perceber que a tudo o amor consegue dar significado positivo.
Lola, em junho de 2020 - (Sentindo-se saudosa e grata, na mesma proporção.)

12/07/2020

Chocolate Quente

Deitei, no meio desta tarde de domingo, buscando um cochilo que não aconteceu.
Friozinho bom na serra da Borborema e isto apetece. Mas apetece também alguns sabores... E gulosa como sou, levantei pensando em chocolate. Ia fazer brigadeiro, ou chocolate quente, mas optei por pipoca.
Pipoquinha feita, sentei-me em frente à TV, acompanhando o êxtase de Talitta, assistindo a live do Ilê Ayê e me deparei com o chocolate. Não o desejado, mas o que me veio como bonus.
Chocolate - delicioso, desejado, belo e envolvente - o chocolate da cor da pele de cada músico, dançarina e cantor do grupo que vai além de qualquer formação de banda. Esta identidade baiana, que nasce, cresce e vive com o propósito primeiro de dizer sim à negritude brasileira. Mas, principalmente, de dizer não a tudo que a ela se contrapõe. Porque, infelizmente, tudo o que se contrapõe à negritude, não pode ser visto como apenas dissenso ou opção de diversidade. No país que praticamente nasceu a partir do trabalho negro escravizado, de pessoas que arrancadas de seus lugares de origem, passaram a ser, além de tudo, estigmatizadas, à sua cor foi relacionado muito o que há de negativo.
Me delicio degustando o chocolate quente, muito quente, posto que canta e grita - NÃO NOS MATEM.  Dança e evoca os orixás - NOS PROTEJAM. Atuam e mandam o recado - ESSE PAÍS É FEITO POR NÓS, NINGUÉM VAI MUDAR NEM CALAR NOSSA VOZ.
Hoje o meu dia segue abastecido de chocolate. E eu, que nem chocólatra sou, me sacio, bebendo na fonte da ancestralidade afro que tanto me fascina e inspira.
BA TUM TUM... E me emociono ao ponto de, além de chegar às lágrimas, recorrer à palavra escrita, essa que grita em mim todos os gritos possíveis e tem poder de reverberar.

Lola, em 12/07/20 (emocionada com a live do Ilê Ayê)

04/07/2020

Dos sons da vida


Do serrote que corta o pinho que compõe o instrumento
Também emana sons incríveis.
Vi isto nas ruas de Nova York,
Mostrado num programa cultural.
Artista de rua tocando um serrote,
Quem diria?
E o som que dele saia,
Não se confundia com os de outros instrumentos,
A não ser a voz   humana.
Ouvi uma cantora lírica através da rudeza de um serrote.
Meu encantamento foi além do som que ouvi.
Encontrou a alegria da artista, que, ao empunhar um serrote,
O fazia com o prazer que que qualquer músico sente ao segurar seu instrumento.
Entendi que não importa como nem o que nos faz tocar
E que tocar as sensibilidades é o primeiro e derradeiro motivo da existência da arte.
Bem como, refleti que o mesmo deve se dar em relação à vida,
Cuja pluralidade de sons multifacetados e repletos de nuances,
Pode nos proporcionar um concerto capaz de consertar o mundo.

Lola, em 04/07/20 ­– (Embevecida com as possibilidades sonoras)

30/06/2020

Coisa mais linda

Eu quero um poema - o meu poema.
O poema que pedi e não me chegou.
Como o beijo e o abraço esperados,
Meu poema deve estar guardado
E nem sei se a mim chegará.
Mas nada cobro,
E se um dia der na telha,
Escreve qualquer besteira,
Que eu juro, vai me agradar.
Besteira? Falei besteira?
Sim, eu falei besteira.
Pois nada é de qualquer maneira
Vindo assim, de você.
Seria bem no capricho, o meu poema, acredito.
Então, continuo e  insisto.
A espera bem valeria
E agradecida eu seria, por ler a
coisa mais linda,
O poema escrito por você.

Lola, em 25/06/20

29/06/2020

Uma aventura sem fim

Hoje é dia de São Pedro. Acordei pensando em como desfrutamos a noite da véspera, comumente comemorada com muita alegria, fogueira, comidas típicas, fogos e, geralmente, outros sentimentos que transcendem a alegria do momento.
Curtimos como pudemos a noite passada, com a visita breve mas muito significativa e feliz, dos netinhos, da filha caçula, do genro querido. Foi uma noite de São Pedro meio diferente mas com seu próprio encanto.
Hoje, muito cedo despertei. E não só do sono. Preparei meu café e vim pra frente da TV, buscar a série que tem me enfeitiçado - a "Coisa mais linda" de se ver!
Com tantas cenas impactantes, outras nem tanto, mas que me impactam mesmo assim,  com diálogos magníficos, cujas frases de efeito, por mais que eu não as decore, ficarão impregnadas em mim, ou até mesmo, quem sabe, já estejam, visto que me remetem a um tempo onde eu redescobri minha afinidade com a temática das "relações de gênero", ao ser apresentada formalmente a ela, lá na graduação em Ciências Sociais,  quando professores como @CristinaMarin e @DurvalMuniz, marcaram minha trajetória acadêmica.
Hoje, nesta data simbolicamente importante e repleta de reminiscências, lembro da minha vida, da infância até o lugar e momento em que ora me encontro. Sinto prazeres vários, que me despertam pra o lado bom da vida. E são tantos... Não dá pra colocá-los assim, no singular.
Este momento histórico que vivencio, com tantos problemas no âmbito coletivo e que, claro, afeta o particular, me presenteia também com momentos muito ricos. Tento aproveitá-los na medida do possível. E tal medida sempre pode ser alterada, pra mais e pra menos. Vou driblando os prós e os contras até chegar na alegria necessária à minha sobrevivência. Até "escapar" do caos e construir caminhos possíveis, dentro da mesma lógica que construí memórias que hoje me dão suporte.
A vida é "uma aventura sem fim"... Eis uma frase de efeito, destacada da série em foco. Sob pena de esquecê-la, guardo-a como título desta crônica. As demais, guardarei como tantas outras, que me fazem, vez por outra, voltar às descobertas da graduação, da participação no PIBIC, do mine curso sobre história do cotidiano, do mestrado em Sociologia... Ficarão impregnadas no etos, no meu jeito de ser e estar nesse mundo, que é social, cultural, histórico. E é, sobretudo, lindo, mesmo que as vezes eu chegue a duvidar.
Quando pensei em escrever, a inspiração vinha das mulheres da série, com as quais me identifico em alguns aspectos. E ia justamente transitar entre as similaridades, tentando entender em qual delas eu me vejo mais. Terminei sem destacar nada disso e inveredei por outros caminhos... Pode ser que eu prossiga  a escrita deste texto... Ou quem sabe, escreva outra crônica a respeito...

Lola em 29/06/20 (sentindo além do que escrevo, posto que é impossível cristalizar nas palavras todo o sentimento. Quem sabe, nas entrelinhas...)

São João tá diferente

"São João tá diferente, tá melhor..." Cantarolo, enquanto reflito e questiono: Será mesmo que está melhor? Diferente, sabemos muito bem que está. Daí a achar melhor, vai do entendimento de cada um, e claro, a percepção individual é marcada sobremaneira pelo social.
Como paraibana e campinense, tenho me emocionado muito com as manifestações juninas possíveis. Em tempo de pandemia e distanciamento social, consigo enxergar um sentimento de pertencimento nada distante. A ancestralidade, o costumeiro, o cultural, têm sido fortes apelos e muito têm me tocado.
Não temos tido as fogueiras, os fogos de artifício, mas temos lives. E entre elas, a do @saojoaodecampinagrande  @saojoaodecampinagrande2020 e a de @gilbertogil , em pleno aniversário dele, me tocaram sobremaneira. Chorei e vi meu pai, no pai que é "Seu Gilberto"- carinhoso, atencioso, babão das crias.
Me emociono demais ao ver algumas lives de artistas renomados e tenho tido oportunidade de conhecer outros, apartir dos acessos via internet.
Foi o que aconteceu em relação a @yassirchediak , que venho acompanhando em lives diárias. Bem como com @fabioperonbandolim , que me foi apresentado justamente numa das lives de Yassir. São artistas que merecem, e muito, esta definição; Artista - "Aquele que tem habilidade ou vocação artística".
O segundo citado, Fábio Peron, vem me seduzindo, no sentido amplo da palavra, e me faz querer sempre conhecer um pouco mais de seu fazer artístico. Quando penso que não mais me surpreenderá, visto que já me admira o seu talento e carisma, a capacidade de conversar com os internautas enquanto toca, em atender pedidos de músicas para tocar, de reservar a sexta feira para o que ele e seus seguidores chamam de "Buteco do Peron", ele me veio com algo espetacularmente maravilhoso, nesta sexta feira 26/06/20 - a improvisação de uma composição, que ganhou um nome sugestivo, a partir de uma geleia de pimenta que fiz, enquanto assistia sua live, e ofereci.
Com "um olho no peixe e outro no gato", minha geleia de pimenta passou do ponto, mas, além de ser aproveitada, já que não costumo descartar nada, mas aproveitar o máximo que posso de cada coisa, seja ela como for, o que resultou, além do doce picante, foi aquilo que passou a ser eternizado na poesia tocada pelo jovem bandolinista.
Deliciosa! Este é o meu parecer sobre a live, a música e, por que não dizer, sobre a geleia de pimenta.
Aguardo ansiosamente pela próxima edição do buteco, onde é servido, além de música boa, aconchego, por parte de todos envolvidos, entre os quais destaco os pais do menino Peron, @peron.italo e @verahelenacury , @elmedeiros13 , @marihambrosio , @ViArrais , entre tantos, que não dá para citar.
Sexta feira tem mais buteco, o que significa que, a emoção sobre a qual falei lá no início da crônica, estará garantida.
Momentos envolvidos em arte nos elevam o espírito e transcendem em relação ao motivo primeiro de sua existência. Terminam se transformando em portais para um outro plano. Ou outros. São impregnados de possibilidades. E isso, pra mim, revela uma riqueza imensurável. Viajo da culinária à literatura, às séries de TV, às conversas virtuais com amigos, aos encontros e reencontros familiares diários, e assim vou me reconstruindo, tendo como plano de fundo o caos em que vive o meu país, dentro de um cenário mundial também caótico e triste, mas que, como tudo nesta vida linda, que Deus nos presenteou, passível de transformação.
E é o sentido filosófico que imprimo em tudo o que vivencio que me faz acreditar que tudo isso vai passar... E que o novo que está sendo construído pode vir a ser melhor.

Lola, em 27/06/20, (envolvidíssima com tudo o que se refere ao tempo de quarentena e emocionada com esse São João diferente, mas não melhor.)

02/06/2020

Envelhecer?

Sempre ouvi dizer que envelhecer é ficar velho, usado, desgastado, próximo do fim. Preferi pensar que o fim, nem sempre chega com a "velhice". Se chega ao fim quando se desiste de viver, seja literalmente, seja simbolicamente. Bem como, pode-se chegar ao fim ainda jovem. Temos notícias de muitos jovens e crianças que já se foram dessa vida.
Pensando assim, passei a refletir sobre meu próprio envelhecimento próxima aos 40 anos. Hoje, aos 55, me percebo dentro de um processo de envelhecimento, mas longe ainda, de ser velha, propriamente dita, de acordo com a visão da sociedade.
Há 13 mêses, me submeti a uma cirurgia bariátrica, que me ajudou   a perder mais de 40kg, o que me permite perceber que hoje minha aparência está mais jovial que há 10 anos.
E então, como considerar apenas o passar do tempo como propciador de deterioração do corpo, que nos faz sermos vistos como velhos, se existem outros fatores que provocam tal deterioração, aparência ou mobilidade limitada?
Bem, não vou aprofundar essa reflexão, apenas expor minha impressão que não apenas a idade nos envelhece. Circunstâncias de doença, acontecimentos, sofrimento, também nos tornam mais velhos, embora a idade seja realmente o referencial social.
Como me sinto aos 55 anos? Como alguém que viveu bem até aqui e que deseja continuar vivendo bem. A noção de viver bem tem mudado um pouco e isso me faz alterar meus planos, aqui, acolá. Porém, o gosto pela vida, me inspira a querer mais e mais.
Vou seguindo, dentro da minha lógica de viver bem, "não desejando mal a quase ninguém", como diz Lulu Santos. Pois entendo que as relações que estabelecemos favorecem ou não, ao nosso bem estar. E buscando me conhecer cada vez mais, tendo assim, uma base para conhecer as pessoas com quem me relaciono.
Aposto no amor, como sempre fiz, para tornar os dias agradáveis. Embora entenda que, nem sempre o amor é reconhecido se não for romanceado. E o que tenho feito é justamente aceitar que, não é necessário a um sentimento tão nobre o véu do romance.
Envelhecer, pra mim, é processo de auto conhecimento, que ajuda no conhecimento sobre o mundo em que vivo e que pretendo melhorar. E pra isso, é necessário arriscar alguma coisa. E isso depende do momento.
Então ouso, às vezes, arriscar. E faço isto na espectativa de não estagnar, pois se o fizesse, aí sim, me sentiria envelhecida.
Viver é bom e eu curto muito.
Gostei de viver a infância, a adolescência, a juventude... Agora, busco me preparar pra viver a " velhice"... Espero que a alegria de viver, que me acompanha desde sempre, não me decepcione. Sei que muito depende de mim, como em qualquer relação. É isso - pra mim, o envelhecimento é relacional. Então, no que tange à minha participação na relação com o envelhecer, posso dizer que me sinto aberta. Acredito que isso facilita muito as coisas.
Avante!

Maria do Rosário Nascimento Araujo

27/05/2020

Pontos e pespontos (sobre o dia da costureira)

Dia 25/05 foi "comemorado" o dia da costureira.
Hoje, não por acaso, assim espero, o canal Max apresentou o filme Revolução em Dagenham, que tem como enfoque a luta das costureiras da Ford Motors, no Reino Unido, do final dos anos 60 ao início dos anos 70.
Quando pensamos em costuras, chegamos a visualizar cenas de avós costurando para seus netos, tentando, ao tempo que se ocupam com algo prazeroso, presentear mimos, nem sempre bem acolhidos ou quando muito, que serão passados de geração a geração, como algo longínquo, um fazer remoto.
Dificilmente, conseguimos vislumbrar o trabalho de costureiras com teor mais concistente. E olha que eu percebo concistência inerente ao exemplo citado, das costuras das vovós. Sou uma delas - adoro costurar para meus netinhos. E como percebo! Pra mim, a linha tênue que separa o que realmente importa nesta vida e o que não deve ser tão valorizado, passa pelo encantamento que permeia as ações revestidas de sentimentos. Aquelas que não se dão de forma automática, mas ao contrário, são tecidas com suor, lagrima, sorriso.
Ao assistir o filme Revolução em Dagenham, lembrei de conversa recente, com um amigo, sobre costuras, na qual a lembrança da minha infância, lugar dos meus primeiros pontos, me aproximou ainda mais da imagem que tenho da minha mãe, com quem aprendi a costurar desde tenra idade.
Hoje assistindo ao filme, além de tudo que já sei e sinto sobre o fazer das costuras, me fortaleceu a idéia de que nenhuma atividade é menor que outra. Que todas, indistintamente, compõem o cenário do mundo do trabalho, que deveria seguir a máxima do dignificar o "homem".
Volto sempre à primeira peça que costurei. E com sorriso no rosto, lembro de como as estratégias contam em tudo o que podemos realizar. Da sobra de uma flanela branca, que papai comprou para mamãe coar café, (até hoje o café lá de casa é coado em flanela), fiz uma mini saia, lá no início dos anos 70, ornando-a com um pompom, que minha irmã , minha Maria número 3, me ensinou a fazer. Tempo em que, a partir da luta das costureiras da Ford de Dagenham, os salários das funcionárias tiveram equiparação salarial com o dos trabalhadores homens.
Costurar, para mim, sempre foi uma forma de expressão. Hoje reitero esta visão a respeito de uma atividade tão importante para a vida social, mas só valorizada quando relacionada ao meio da moda e das grandes empresas.
Como tudo na vida, o fazer da costura ganha e perde privilégio de status a partir de interesses. Devemos expor os nossos, para que não apenas sobressaiam os espúrios, os mal intensionados.
O filme citado mostra a luta de mulheres trabalhadoras no final da década de sessenta e início da de setenta, como já coloquei, mas muito antes disso, mulheres já lutavam em outras frentes. Desde que o mundo é mundo, mulheres trabalham, embora tenham tido seus trabalhos invisibilizados. E desde sempre tiveram suas demandas. Muitos, senão a maioria, dos avanços relacionados ao mundo do trabalho, são frutos da luta feminista. A mulher, em muitas culturas, consegue ampliar suas áreas de atuação pela noção estratégica de sobrevivência, se tornando capaz de implementar a multiplicidade e pluralidade de ser.
Com a minha mãe, aprendi da singeleza da vida que é ela que a faz bonita. E gosto da beleza da vida. Com meus pontos, pespontos, alinhavos, tento deixá-la um pouco mais amena e consigo. Por isso encontro com facilidade o sorriso. Mesmo em tempos que insistem em incobri-lo.

Lola (27/05/20)

29/04/2020

Ensejo

Romance sem mel,
Sexo sem pimenta,
Amor sem amizade,
Quem é que aguenta?
Eu gosto de tudo,
De tudo mesmo.
Por isso não vivo sem desejo.
Então se é isso
Que me propões,
Vou aproveitar,
Tirar uma casquinha
E curtir o que vejo.
Viver de alegria,
Te matar de beijos,
Enfim, ver o que dá
Do meu querer gostar.
E me deliciar
De todo ensejo.

Lola (21/04/20)


23/04/2020

Quarentena

Tenho pensado muito nos últimos Dias... Pode até parecer que seja efeito do tempo sobrando. Mas não... Não tenho tido tempo de sobra, pois me ocupo grande parte do dia. Cozinho, limpo a casa, escuto músicas, vejo filmes, converso on-line, rezo... Mas não deixo de pensar...
Penso na vida, na morte, no devir... Penso demais, principalmente, na pandemia que nos assola.
Dentre as coisas que vêm ao meu pensamento, está minha predisposição à oração, tão comentada por mim. Costumo dizer que a oração é o meu principal dom, mas tenho passado por momentos em que ela não me chega facilmente, como sempre a percebi.
Penso no ano passado, que considerei maravilhoso e cheio de oportunidades de reconstrução da minha vida. Penso no início deste ano, que considerei tão complicado, visto que acontecimentos me levaram à reflexão  sobre mim mesma e como isto tem afetado meu modo de me enxergar, que eu tinha como tão sólido, embora multifacetado e mutável.
O terceiro mês do ano, quando o mundo se deparou com uma pandemia e nos fez, a todos, entrar em quarentena, já me encontrou fragilizada e insegura. E isto só tem crescido nestes dias, embora eu busque alternativas de superação.
Dentre as alternativas, a introspecção, a busca de entendimento dos desígnios de Deus. A pergunta que faço constantemente: O que Deus espera de mim, neste momento que imagino, seja de transição? E mais: O que eu espero de mim? Quem sou realmente?
Percebo que este ano tem me mostrado alguns aspectos de mim que eu, ou desconhecia, ou escondia de mim mesma. E é nisso que reside meu conflito - a descoberta de uma faceta meio que desconhecida e não tão agradável. É meio decepcionante isto... Penso assim... 
Porém, apesar de , "nem tudo ser flores", nem tudo também é deserto. Há beleza em meio ao caos, e esta, pra mim, vem se mostrando no aprendizado pessoal. A intimidade com Deus, tem me feito recuperar a impressão a meu respeito, através de diálogos que só eu consigo entender. As respostas me vêm como luz clareando meus dias. E volto a respeitar meu jeito de ser, a reconhecer alguns motivos que me levaram a agir de certas maneiras e a entender que, embora não seja perfeita, tenho facilidade em captar as lições que a vida me impõe e aproveitá-las em prol da minha evolução como pessoa.

Lola (meio perdida quanto ao início da escrita, supondo que o término se deu em 30/06/20)


21/04/2020

7 mêses

7 mêses separam uma foto da outra. Além do impacto da imagem, considero o que não é aparente. As pernas cruzadas revelam que a artrose nos joelhos, a artrite, os problemas circulatórios, estão sendo sanados, o que me proporciona num ato tão simples de sentar descontraídamente, perceber que estou num processo de reconstrução de mim mesma. Louvado seja Deus por isto.🙏

Descabelada

Eu acordo assim, descabelada.
De maquiagem,meu rosto não tem nada,
A não ser, um restinho do batom,
Que por ser matizado sempre fica.
Não me acho assim, muito bonita,
Mas me amo e me respeito, imensamente.
Não é por estar desalinhada,
Que a mim, o meu semblante não agrada.
Vejo além das aparências e aprecio.
Eis o porquê deste meu desafio
De postar uma foto desarrumada.

Lola (09/03/20 - amanhecendo refletindo sobre o peso da beleza sobre as mulheres)

20/04/2020

Você

Preciso de poesia nos meus dias.
É ela quem me faz acreditar
Em cada palavra que escrevo e que sonho
E que nem existiriam sem você.
Ah, do que me importa se caio, as vezes, na real
E vejo a vida, o dia a dia tão banal?
O que importa é vislumbrar o vir a ser
E de quando em vez,
aproveitar a insanidade
Que me domina quando penso em lhe querer.
E que transforma simples gota em tempestade
E me afaga a alma ao perceber
Que tudo me conduz ate você.
E que a distância diminui ao escrever.

Lola ( 03/04/20)

Prazer fotografado (Para Talitta e André)

Prazer fotografado - Algo raro, mas existe.
E eles insistem no afeto que, de fato, os torna unos.
Seja na dor ou alegria, seja noite ou dia seja,
Sempre há lugar pra essa beleza que chamamos alegria.
De estar junto, caminhar,
De ir a qualquer lugar, sempre para se encontrar,
Pois o bom da vida é estar junto.
De quem se ama, de é
De oração, comemoração.
De toda energia boa que só se emana para pessoas
Que compartilham sorrisos,
Que se sentem vivos,
Que são mais que amigos.
Sim. São mais que amigos.

Lola (01/09/19)

Da sedução

Tenho me revisitado e me seduzido pelo encontro comigo mesma.
Não me preocupa saber sobre os olhares que a mim chegam, vindo de fora.
É dentro de mim e a partir do meu ponto de vista que me analiso.
E é bonito o que encontro, já que não exijo tanto de mim.
Me aceito assim, como sou. Me amo e supro de bem querer em todas as fases que percorro.
Não preciso de socorro pra me aceitar como estou.
Mas se não me satisfaço com tudo, busco melhorar.
Assim se deu a opção pela bariátrica, tendo nela um suporte de "responsa" pra implementar mudanças necessárias.
Mas o amor por mim mesma, a auto estima, o cuidado, sempre estiveram comigo.
Talvez por isto mesmo, cheguei a fazer escolhas que responderam a cada momento do processo.
Nada tem se dado por acaso ou descontroladamente,
Tudo vem acompanhando coerentemente o meu estado emocional, que reflete tanto quanto é refletido na minha realidade atual.
Sem essa de "se eu soubesse teria feito antes"... Sem aquela de "voltei a me amar"... Foi o amor que sinto por mim mesma que me fez caminhar até aqui... Ainda chegarei ali, acolá, alhures...
Deus e meu anjo da guarda sempre me acompanham nessa jornada chamada vida.
Por isso ela é tão linda e querida... É minha vida, minha história, meu corpo, minha mente, minha alma.
E minha aura é iluminada de tudo que ainda desejo e que, como um beijo, não usurparei de ninguém. Conquistarei, como fiz até agora,  tudo o que me compõe e me faz ser Lola,  Maria, Rosário.
Sou um bocado de experiências e vivências. Sou o que sou e os meus contrários.
Na dialética da vida, estou feliz e decidida.
Lola (01/09/19)

Eu vou / Eu fui

Eu vou

Estou pronta. Vou ao encontro dos Nascimento. Momento de confraternização de uma grande família, que tem em comum a descendência de vovô - João Domingos.
Enquanto me maquiava, na tentativa de me por bonita para os meus, refletia sobre o que mais nos identifica. Será a aparência? O jeito de ser? O sangue que corre em nossas veias? Apesar de considerar todas as possibilidades, creio que, pelo menos neste momento, o que mais nos aproxima é está vontade de ir. Ir à casa de Lucinha, que gentilmente abre as portas para nos acolher.
Acolhimento, sentimento de aceitação, de pertença. É isto que nos unifica hoje - o desejo de ir. E eu vou. Você vai?
A esta pergunta, responderão sim os que terão as condições objetivas de se fazerem presentes. Aos demais, certamente não faltou o desejo, a vontade de ir, e com pesar justificarão suas ausências.
Muito importante, ao meu ver, é entender que o sangue, per si, não justifica nada, apesar de ser um importante aspecto. Digo isto ratificando o desejo de encontrar Boba por lá e de sentir, entre tantas ausências lindas, as de tia Hozana, Zeneida e tia Elvira -  queridas tias. Não mais e não menos do que as consaguinias, tanto quanto.
Mamãe, tia Deta, tia Céu, tia Neves, tio Neco, tio Joca, Sandra, Graça, Carlinhos, Conceição - presentes! Sempre presentes em nossos corações e em nossas vidas. Em tudo o que somos. E assim será eternamente... Os que irão, ficarão nos que ficarem... Assim, perpetuaremos a família Nascimento. Assim seja... Amém!

Lola ( me preparando para ir ao encontro dos Nascimento)

Eu fui

Foi maravilhoso o nosso encontro. Parte dos Nascimento esteve junto ontem, na casa da prima Lucinha, filha de tia Detinha, imã de mamãe.
Ratificamos a beleza do encontro e pudermos ser um em muitos. A unidade na diversidade fez a festa. Não teve lados opostos, partidos, times de futebol, que nos tirasse o foco de sermos apenas Nascimento, nesta tarde e noite de sexta feira, 15 de novembro de 2019.
Eu fui e sinto pelos que não foram.
A FAMÍLIA É TUDO! \o/

Bolo de aniversário

O dia 30 de novembro sempre foi de festa em família - aniversário de mamãe. Quantos deles  festejamos juntos... Como sempre foram alegres dias...
Desde que comecei a  namorar Rostand, em 1981, passei a comemorar esta data duplamente.  Hoje tem festa no céu e aqui festejamos a vida de Rostand. O bolo foi feito por encomenda, por dois anjinhos que Deus nos enviou, para que nunca deixemos de comemorar esta data e agradecer a Ele a dádiva da vida.
Muito a agradecer, nada a reclamar. A saudade, ao mesmo tempo que machuca, nos serve de alento, pois só o que é muito bom deixa saudade.
Parabéns para mamãe!
Parabéns para Rostand!
Viva a vida!
Louvado seja Deus! 

Detalhes de uma fotografia

Na mesa, Heitor e a menininha se entre olham (é crush).
Atrás, as irmãs comungam do momento especial e revelam mais do que a imagem.
É dia de celebrar a vida de Talitta
E Alice curte tudo e mais um pouco
- o click eterniza o momento do jogo.
Fecha-se a lente e o que se sente,
É que o momento foi vivido.
E foi lindo comemorar mais um ano vivido.
E que outros venham cheios da alegria
Que se irradia na gratidão sentida.
A Deus, nosso Senhor, toda glória e honra.

Lola (vivenciando o aniversário de Talitta)

Saber de si

Saber de si - O melhor conhecimento que existe.
Quem consegue entender quem é, prescinde da observação alheia.
E mesmo que olhares vis e caras feias
Enxerguem apenas o que desejam perante a sua imagem,
Distante estarão da sua verdade - a essência só tocada apenas por você.
E é nela que deve haver investimentos que contribuam com seu crescimento.
De resto, o que importa é mesmo você.
Olhares vis, caras feias, passarão... Olhar de desprezo,  passará...
Você sempre estará lá.
Pronta para abraçar os seus anseios e descartar os alheios...
Sendo alheia a tudo, menos a você.
Lola (30/01/20 - refletindo sobre mim)

17/04/2020

Primeiro aniversário

Geralmente quando se completa um ano de cirurgia bariátrica, as pessoas festejam, se alegram e se orgulham do peso que perderam. Eu prefiro computar o que ganhei neste ano.
Ganhei saúde, pressão arterial 11 X 7, tachas sanguinias normalizadas, 0 gordura no fígado, diminuição em mais de 90% das dores crônicas, noites bem dormidas, condições para me exercitar, mobilidade, auto estima.
Posso dizer que ganhei, na verdade, uma vida nova. E é ela que celebro neste dia 08 de abril de 2020.
Perdi 41 kg e ganhei uma infinidade de presentes. Agradeço a Deus por tamanha bondade comigo. E agradeço também a quem faz parte dessa história de superação e de transformação positiva - @Dr.EduardoPachú,  @AnaPaulanutrição, @DanilloAlves, @ElainePachú @Icoep.
A vida é pra ser vivida por inteiro e "cada um sabe a dor e as delícias de ser o que é". E é capaz de buscar o caminho certo a trilhar para alcançar suas metas.
Salve o dia 08/04/20!  

Da pausa necessária

Há quem pense que não se dá pausa em filme que se está aprovando. Nem a livro. Eu discordo. Compulsiva como sou - minha terapeuta diz que não sou - me diagnosticou como ansiosa - muitas vezes devoro o alimento da vez, seja comida, propriamente dita, livro, filme e até playlist. Outras vezes, porém, guardo um pouquinho, pra me deliciar num segundo momento e assim realmente degustar e não engolir sem sentir o gosto devido.
Acaba de acontecer algo do tipo. Com mais de dois terços assistidos do filme Uma Beleza Fantástica, pausei e vou iniciar meus afazeres do dia.
 Equanto tomei o café matinal, comecei a assistir. Percebendo o desenrolar encantador, dei um tempo, na tentativa de prolongar o prazer.
 A mesma coisa fiz com este texto.  Três dias se passaram, desde o início da escrita, até eu voltar a escrever, embora tenha dado continuidade ao pensar a respeito, neste interin...
 Nada é concluído, findo... Mesmo agora, quando me volto mais uma vez ao texto, não tenho pretensões de esgotar suas possibilidades. Nem acredito nisto.
Nestes tempos de pandemia do Covid19, quando precisamos nos enclausurar, curto o estar em casa,  as pessoas que estão comigo, sinto falta das que não estão, as busco virtualmente, cozinho, costuro, cuido da casa, das plantas, vivo... E vivo também a preocupação do porvir... Tento, a partir da fé, não esmorecer e vislumbrar novos tempos. Afinal, estamos vivendo um tempo catártico. E a catarse é individual e coletiva, o que não deixa de ser ser um alento.
 Alento - é isto que busco ao escrever... É este o motivo deste texto existir. Assim mesmo - pausado, pensado, repensado.
Quem sabe continuarei a escrevê-lo outro dia...

Lola (14 a 17/04/2020)

08/04/2020

Meu Anjo

Sonhei com um anjo
De cachos loiros, alva aura.
De auréola translúcida semblante pleno.
Seria perfeito o anjo dos meus sonhos,
Não fosse a ausência de asas.
Asas tenho eu, que vôo alto enquanto durmo.
Velada pelo encejo de reencontrar meu anjo.
É sempre um reencontro prazeroso...
Fico a espera de sonhar de novo...

Lola (08/04/20)

31/03/2020

Verde mar

Não me olhe com esse olhar verde mar.
Não me traia com um olhar que me faz cair
Em tentações, devaneios,com receio.
Não se entregue ao ponto de me fazer acreditar.
Põe óculos escuros, peço por favor.
Deixa o amor que ainda dorme continuar a sonhar.
Mas não me olhe assim... Já que nem posso me apaixonar...
Como poderia, se nunca deixei de estar
Envolvida com esse olhar que me fita e me faz mais bonita?
Fecho os olhos e vejo o verde do teu mar.

Lola - 29/03/20 (em meio ao caos da quarentena)

08 de março

Hoje é nosso dia,
Tanto quanto  foi ontem e  será amanhã.
Porque somos seres humanos, pessoas, gente...
Da melhor qualidade... Ou não...
Mas o dia de hoje tem uma atmosfera especial,
Faz referência a lutas históricas, a conquistas.
Nada nos foi ofertado de bandeija,
Construímos o que somos hoje
E continuamos na luta, a elaborar o que virá.
Pelo que fomos, pelo que somos e pelo que poderemos vir a ser,

22/12/2019

Roupinhas de Natal

Estamos a 3 dias da véspera da festa que eu repulto a mais linda do ano. O Natal, per si, dispensa comentários, mas no nível individual, para mim, é repleta de aspectos simbólicos e me preenche todos os sentidos.
Depois de um dia envolvida com as costuras das roupinhas dos netinhos (Natal pra mim tem de ter roupinha exclusiva), varei a noite pra poder acelerar o processo de confecção de um vestidinho para Alice. Não por acaso, escolhi um modelo que me trás muitas recordações e afaga o meu coração saudoso.
Sinto muitas saudades de minha mãe, embora consiga perceber que ela nunca se apartou de mim. Ela vive em tudo o que sou, e um dos aspectos que mais exemplificam tal afirmação é o meu amor por costura. Costura afetiva, diga-se bem.
Quando falo em sentidos, não é apenas de forma genérica. Digo sobre o sentir com os olhos, ouvidos, nariz, toque... Isso tudo permeia o meu fazer de pessoa amante da costura e seu simbolismo.
Apartir da escolha do tecido, sentindo seu caimento e o TOQUE na pele, seu cheiro, sua cor, VEJO minha mãe, que tanto sabia transformar meros tecidos em coisas tão lindas.
Quando parto para a mesa para cortar o tecido e sinto o seu cheirinho de coisa nova, me vem como por encanto, o PERFUME da infância, quando a via desembrulhar os pacotes, estender os tecidos, apresentá-los a gente...
A tesoura provoca um SOM maravilhoso, entre o tecido e sobre a mesa, me remetendo aos dias remotos, quando a espectativa da roupa nova me alegrava os dias, tanto quanto o amor que sempre me foi dado pela minha linda e terna mãe Nicinha.
Tudo emana e retorna a ela, mas nada tão intensamente quanto minha disponibilidade para encarar horas sentadas à máquina de costura, independentemente da hora do dia. Ontem varei a noite, como já disse, e era mamãe a minha companhia.
Dia destes, desenhei alguns dos vestidinhos da minha infância, que não saem da minha memória. Me veio o desejo imenso de reeditar cada um deles e presentear Alice. Estou dando prosseguimento ao projeto e, como tudo que me é caro, acho que vale a pena escrever e eternizar além do palpável, do visível, do vivido, pois acredito no poder da palavra para nos transportar  aos momentos. E este, sem dúvida nenhuma, é um momento lindo em minha existência.
Mamãe - presente. Sempre. Em minha vida, em mim em minha descendência. É terna, eterna mamãe... É terna sua lembrança, eterna em mim.

Lola, em 20/12/19 (emocionada nesta reta final do advento)

11/12/2019

A lua e eu

Houve um tempo em que a lua nem me dizia tanto... Tanto quanto me diz hoje, quando me conta das coisas belas.
Neste tempo  remoto, haviam outras formas de chegar a mim  a beleza da vida.
Eu ouvia os pássaros, corria pela rua descalça, jogava bola solta, pensando que era livre.
Minha liberdade me prendia em pensamento sobre o amor, sobre o amado...
E mesmo sem ser meu namorado, ele me fazia feliz.
O via como o principezinho via sua rosa - "única no mundo"...
Ele chegava a ser meu mundo e nada mais me importava além de amar.
Hoje ele reina em meu pensamento. Isto pra mim é um alento... Vivo assim...
Contando com a lua pra cuidar de mim.

Lola (11/12/19)


05/11/2019

O sapo escova os dentes

Aqui o sapo não lava o pé
Mas escova os dentes sim.
Sapo de Alice é assim,
Pois criatividade não lhe falta.
Eita, menina peralta!
Faz da vida um palco, e em alguns atos
Sou pega de sobressalto,

Como na história do sapo feito de caixa de sapato,
Que por tão grande boca ter,
Não teve o que fazer,
A não ser escovar os dentes
E a higiene prevalecer.

Vó Loló ( 01/11/19 - na varanda, corujando os netinhos)





22/10/2019

Manhã de Natal

O que se compara a uma manhã de Natal?
Chão colorido de papel de presente rasgado,
Crianças brincando, pra todo lado.
A festa acontece desde a noite passada
E, como fadas, país, tia e avós brincam também.
Manhã de Natal me faz tão bem,
Que desejo a todos a mesma luz
Que a estrela que não se apaga produz.
Sorrisos, abraços, muitos cuidados,
Afloram na manhã feliz.
O dia parece pequeno pra tantos anseios.
O mundo parece parar para o menino brilhar.
E junto com eles, minhas crianças lindas,
São prenúncio de que virá um ano bom.
Agradeço a Deus pelo Jesus Cristinho
E pela família que quis me presentear.
É a isto que se compara uma manhã de Natal
- a um presente de Deus, mais que especial.

Lola ( 22/10/19 - revendo fotos do Natal passado)

21/10/2019

Meio século

Meio  século é quase nada,
Nem dei conta que passou.
E os meus dias vivencio
Na esperança do quem vem.

Muitos outros anos, espero
Primaveras, nova idade.
Quero mais felicidade
Nessa vida e na do além.

Espero em Deus que floresçam
Novos dias, com magia.
Hei de vivê-los com intensidade,
Maturidade e a alegria

Que Deus me deu como dom.
Eu acho isso tão bom
Que irradio a todos
E logo vejo em uníssono,

Todos sorrirem comigo.
Faço de todos, amigos
E nos divertimos muito.
Junte-se a nós, te convido.

Lola (18-10-14)

18/10/2019

Ala 600

Em um feriadão de outubro de 2018, fui para João Pessoa com a família. Numa tarde de praia, Aninha, se juntou a nós. Entre muitas conversas, rolou o tema bariátrica. Há muito tempo, meu marido e minhas filhas, Talitta e Priscylla, me sugeriam fazer a cirurgia. Eles viam as dificuldades que eu enfrentava, principalmente relacionadas à saúde e à perda de peso, embora essa fosse minha preocupação e meu empenho.
A conversa com Aninha me despertou a curiosidade de conhecer Dr. Pachú, cirurgião do aparelho digestivo, cuja equipe ela compõe. Falei sobre a possibilidade de marcar consulta com ele. Ela me alertou para o fato de que ele só atende para cirurgia, então lembrei que preciso retirar a vesícula. Pensei nesta opção como estratégia de conhecer o renomado cirurgião e sondar a possibilidade de, quem sabe um dia, me abrir para a bariátrica. Na verdade, aquela já era uma fresta para tal abertura. E quando chegou o dia da consulta, em dezembro, ainda na sala de espera, eu me encantava com aquele jovem médico que vinha até a sala e perguntava quem seria o próximo paciente a ser atendido. Fazia isso com o seu indefectível sorriso "de orelha a orelha".
Chegando a minha vez, brinquei com ele, que sorridente me atendeu, dizendo que nem se animasse e não me olhasse como quem vai me operar. (Juro que fiz isso! rs) Ainda sorrindo, sua resposta foi: "- Oxe, mas você não está com pedras na vesícula?! Tem de operar mesmo." Foi então que assumi que essa era uma desculpa para eu me aproximar, embora realmente eu precise retirar a vesícula. Mas naquele momento, eu estava dando mais um passo no sentido de me abrir à possibilidade de fazer a bariátrica.
Saí do consultório com a requisição dos exames para a cirurgia, e quando voltei das férias, na última semana de janeiro de 2019, iniciei a batalha. Lembro que em todos os consultórios, clínicas e laboratório que passei, ao falar sobre estar me preparando para cirurgia bariátrica e dizer que seria com Dr. Eduardo, todos o reverenciavam, ao ponto de dois, dos médicos que fui, a saber, Godofredo Borborema e Ricardo Wanderley, dizerem com todas as letras - " Você vai fazer com um médico que opera de olhos fechados", considerando sua experiência exitosa.
Os exames preparatórios foram avançado... Assim, Aninha se tornou Dra. Ana Paula, minha querida nutrucionista. E me prometeu cuidar de mim da mesma forma que cuidou de sua mãe, que já passou pela cirurgia. Ela vem honrando sua promessa de uma forma que me emociona. Não sei como retribuir tanta dedicação amorosa e profissional.
No início do processo, pedi a Deus que me iluminasse e que sinalizasse no sentido de fazer ou não, a cirurgia. Que se fosse realmente para eu fazer, que os exames fossem compatíveis. Quando recebi o resultado da polissonografia, entrei em pânico. A pneumologista, Dra. Andreza, em seu laudo, indicou que as primeiras horas pós cirurgia fossem na UTI,  o que me abalou profundamente, visto que meu pai, minha mãe e minha irmã mais velha, morreram na
Unidade de Rerapia Intensiva do hospital que eu seria operada. Ela também me encaminhou ao fisioterapeuta da equipe de Dr. Pachú. No mesmo dia, entrei em contato com Dr. Danillo, que foi extremamente receptivo e soube lidar com minha inquietação. Daí em diante, com o trabalho desenvolvido por ele, passei a dormir, a melhorar a respiração, a ficar preparada para a cirurgia. Desde então, vejo Danillo como um anjo bom que Deus colocou em meu caminho.
Antes de chegar a ele, desabafei com a psicóloga da equipe - Elaine (sempre receptiva) - e fiquei mais tranquila, podendo me consultar com Dr. Eduardo sobre a gravidade de ser cirurgiada tendo apneia e a probabilidade de ficar em UTI. Probilidade descartada por ele. - "A coisa mais rara do mundo, é um paciente meu ir para UTI. Nem se preocupe com isso...E quanto a apneia, meu Deus do céu, a gente já faz esse tipo de cirurgia para melhorar essas coisas mesmo..." Nunca suas palavras tinham me soado tão benditas, a despeito da empatia, desde o primeiro encontro.
Daí em diante, minha fé foi reforçada, a coragem tomou conta de mim e a alegria de estar vivenciando aquele momento, rumo à saúde, me contagiou e assim se deu até a cirurgia.
No dia 08/04/19, as 6:30 estávamos, eu e Rostand, na Clínica Sta. Clara. Às 8:00 entrei alegremente na sala de cirurgia. Nunca esquecerei a oração que fiz, quando a enfermeira me avisou que iria me levar ao Centro Cirúrgico: Eu vou com Jesus, que me cura, com Maria, que me cuida e com meu anjo da guarda, que me protege. Papai, mamãe e Graça, vão conosco.
A sensação que eu tinha era que, se fosse o caso de haver uma pane e todas as luzes do CC se apagarem, ainda assim ele estaria iluminado. Luz. Muita luz iluminou aquele momento.
Desde então, tudo passou a fluir de forma ainda mais intensa, e meus dias tem sido bons dias. Hoje, no 12° dia pós cirúrgico, me sinto muitíssimo bem e vislumbro dias ainda melhores, daqui pra frente.
No dia 10/04/19, recebi alta e voltei pra casa. Mas nas minhas boas lembranças, sempre guardarei os dois dias e meio que passei na ala 600.
Renasci. E reconheço que sem Deus não teria chegado até aqui. A Ele, toda a honra e toda a glória.🙏. Foi a Ele que clamei, em minhas "noites traiçoeiras". Foi Ele que me ouviu, me entendeu e através de Seus sinais, pude chegar até aqui. Foi Ele que colocou as pessoas certas em meu caminho e eu as busquei, confiei minha história de doente. Sim, a obesidade é uma doença. E além dela, sou portadora de artrite reumatóide, que me faz sofrer de dores terríveis, maximizadas pelo peso demasiado.
Portanto, me encontro em estado de graça e sou só gratidão ao Nosso Senhor. A Ele e a cada um que contribuiu para eu sair do sofrimento em que me encontrava e estar hoje curtindo dia a dia a minha recuperação.
Destaco a equipe do ICOEP, sabendo que minhas palavras são muito pouco para dizer o quanto são profissionais competentes, engajados, equipe coeza e acima de tudo, humana.
Agradeço, de coração também aos médicos que sempre busquei e que chamo de meus - minha ginecologista, Dra. Francisca, minha endocrinologista, Dra. Marta, e minha reumatologista, Dra. Sandra. Esta última, a mais recente da lista, mas não menos importante. Foi uma simples frase dela que me deu um "estalo" e eu que já estava de consulta marcada pra Dr. Pachú, porém cheia de dúvidas, pensei - sim, este é o momento de eu me decidir.
Todas estas médicas me sugeriam, carinhosamente, a cirurgia bariátrica. Francisca, que me cuida a pelo menos 30 anos, sempre me alertou para os perigos da obesidade e percebia que minha luta vinha sendo inglória. Marta, que também me cuida desde os anos 80, embora eu tenha passado um tempo afastada e retornado há uns 3 ou 4 anos, até me revelou sua "tristeza" ao sugerir a cirurgia. Ela entende que pode passar a idéia de que a endocrinologia falhou. Mas não falhou... Desde meu retorno ao seu consultório, me sentia bem melhor do que antes. Quanto à Dra. Sandra, ao me indagar sobre a possibilidade de ser operada, ao ouvir minha resposta, que eu tinha medo e que a via como uma mutilação, me mandou essa, de maneira bem tranquila: " - Você tem medo da bariátrica mas não tem medo da obesidade..." Foi assim que passei a desmistificar a cirurgia, a tirar o véu do preconceito com o qual eu a havia coberto, e assim fui para a consulta com Dr. Pachú bem mais aberta às possibilidades.
Dizer que agradeço à minha família é pouco. Rostand se desdobra em atenção para suprir todas as minhas necessidades. Talitta e Priscylla se esmeram nos cuidados. Meu genro, meus netinhos e irmãos, também compõe a rede de solidariedade que me fortalece.
Eu nunca desisti de mim. Sofri muitas dores mas nunca deixei de sorrir. Minha máxima de vida eu a encontrei no Gênesis: "O Senhor me encheu de risos..." E mesmo com todas as limitações que as doenças me traziam ( já falo no passado), meu sorriso não se esvaiu. E hoje, posso dizer com propriedade, que outra parte da fala de Sara me representa. "- O Senhor me encheu de risos e todos os que disso souberem, rirão comigo."
Eis-me aqui, Senhor, agradecendo a dádiva e prometendo contribuir para que outras pessoas sorriam de felicidade, como estou fazendo agora.

Lola  ( Abril de 2019 - em estado de graça.)

16/10/2019

Meu aniversário

Hoje é o meu aniversário, completo 55 anos de uma vida que considero muito boa.
Hoje é o meu aniversário e eu desejo comemorar com pessoas que me são caras.
Comemorar não necessariamente com festa, mas indispensavelmente, com alegria e gratidão.
Partilharei o bôlo e os desejos de mais anos de vida com saúde abundante e alegria de viver.
De tudo o que faz parte do que sou, que me compõe, de tantos dons que Deus me deu, considero a fé e a gratidão como o que mais me identifica. Sou grata por tudo. Tudo mesmo. Inclusive as dores, que me impulsionam a transformações necessárias através de ações que ouso. Os amores que venho conquistando ao longo destes anos, refletem o amor que em mim existe e não me conformo em deixar apenas em mim. Espraio este sentimento e o multiplico. Assim meu riso, já abundante, se torna generoso, e consigo enxergá-lo, também, no semblante dos outros.
Sigo cada vez mais confiante que " só o amor conhece o que é verdade". E a verdade é libertadora.
Hoje é o meu aniversário e há muito não me sentia tão confiante em mim. É desta verdade que falo. Sendo assim, tudo o que fiz, reconheço, o que projeto, vislumbro, o que estou vivendo, celebro. E em tudo, dou graças.
Quase plena, prossigo... E Deus, sempre comigo...
Lola - (se sentido agradecida em 14/10/19)

11/10/2019

Domínio

A noite chegou com lua e tudo.
E o que era dúvida clareou.
Alterou minha percepção do mundo
E minhas certezas desbancou.

Noite de lua tem sobre mim um domínio.
O seu encanto me  cheira como flor,
Sonhos me visitam sem estar dormindo,
Da cabeça não me sai o meu amor.

Lola (10/10/14)

07/10/2019

Da transitoriedade das coisas


Se há algo que tudo é, é passado. Tudo é transitório.
Nas minhas incursões em minhas memórias e análise cotidianas, reflito sobre o peso que algumas coisas ou aspectos da minha vida tiveram sobre mim. E constato que muito virou passado e que o restante também está fadado a ser.
Como se relacionar com a vida, após tal constatação? Eu diria que, mais ou menos, da maneira que venho, nestes 55 anos de vida, aprendendo.
 A vida é preciosíssima e vale a pena ser tratada com o zelo merecido. Nem mais, nem menos. Agir dessa forma não requer exageros em nenhuma de suas facetas, nem tão pouco lhe negar cuidados e atenção. Isso, relacionado às coisas é ainda mais verdadeiro.
“Amar a vida nunca vai mudar o sentimento de rir e de chorar”, baseada nesta certeza, sigo acreditando que, independentemente do sentimento de riso ou choro, amar é sempre a melhor opção. E sigo amando...Principalmente as pessoas que me são próximas, a vida, em toda sua complexidade e as coisas que tenho oportunidade de possuir e que em algum aspecto, tem a ver com meus gostos, meu jeito de ser.
Quando virarem passado, que as pessoas continuem a existir no meu pensamento e no meu coração. E que a expectativa do reencontro me fortaleça e atenue a saudade... Que a vida seja vivida dentro da perspectiva de “um dia de cada vez”, sem me tornar ansiosa ou saudosista...Que as coisas que me identificam, digam algo sobre mim e povoem, quando em vez, minhas reminiscências... E que o amor, ah, o amor... Este seja a razão primeira e última de minha existência. Pois tudo vira passado, mas dentro da lógica da transitoriedade, só o amor é eterno...

Lola (07/10/19)


06/10/2019

Meus monstrinhos

Meus monstrinhos são do bem,
Do amor, do colorido e luminosidade.
Não são de verdade, são brincadeirinha.
Por isso me fazem uma avó tão coruja, tão plena e feliz. Monstrinhos assim, são o que eu sempre quis.

Vó Loló, em 06/10/19 ( feliz da vida, comemorando os 8 de Alice e os 2 de Heitor)

01/10/2019

De mão beijada

Entrego, de mão beijada, 
Todo amor em mim contido
Até o que aprendi contigo,
Alice, netinha amada.
Para que nada nesta vida
Lhe desmereça ou entristeça.
Tudo reflita a sua energia e a engrandeça, mais ainda,
Vida que, só por você existir,
Já merece ser vivida.
Deus lhe proteja e guarde.
Lhe faça muito feliz,
Pois foi assim que me fez
Quando decidiu me dar
Presente em forma de amor,
De sol, de luz e de flor,
E como neta lhe embalou.

Lola (30/09/19 - comemorando os 8 anos de Alice)





29/09/2019

Super Alice


  • Quatro anos! Quatro anos!

Alice nasceu há exatamente quatro anos!
Virei avó, mas nem nos meus melhores sonhos,
encontrei tamanho prazer.
Fui aprendendo a ser a vó Loló que ela aprecia.
Nossos encontros se tornaram repletos de alegria,
e não há um só dia que eu não deseje a sua companhia;
para brincarmos de vovó e netinha,
sem perceber o passar das horas.
E crescermos juntas sem deixarmos ir embora
a criança que sempre haverá de existir.
Que faz do meu quarto, parque  de diversão a toda hora.
Que brinca na minha cama como em um pula pula - criança que ninguém segura - e que amargura não há de sentir.
É super! É super Alice!
E eu super feliz por ela existir
e a há quatro anos me fazer sorrir.

27/09/2019

Como sou

Sou assim mesmo, como aparento.
Ninguém muda meu jeito,
Pelo menos, não por decreto.
Sofro influências de todos
Mas tudo que sou e que faço,
Reelaboro do que me é dado.
Sou profunda no que quero ser,
Visceral, até.
Rasa naquilo em que não vejo o porquê.
Sei que exagero no sentir, no querer, às vezes no dizer.
Mas é assim que sei viver e assim vou..
E se você não sabe me compreender,
Sinto muito, mas continuo a ser
Como sou.

Lola (26/09/19)

25/09/2019

Nós passarinhos

Desejo voar como os passarinhos.
Nem precisa ser tão alto,
Desde que do céu, veja um pouquinho.
E dos campos da terra, veja ninhos, árvores e flores.
Pelos pássaros morro de amores.
Eles me dizem nas canções,
Que o tempo pode mudar,
Vir enchentes, furacões
- Tudo pode acontecer -
Mas a primavera chega.
E eu, que não sou boba,
Vislumbro os belos dias
Em que as flores , a alegria,
Darão o tom da vida
De todos nós, passarinhos.
Ah, que vida tão querida!
Viver - presente de Deus.

Lola 25/09/19 ( ouvindo os pássaros , numa tarde de primavera)

Passarinhos no jardim

Coisa linda de se ver,
É passarinho no jardim.
Da janela vejo tudo
- flores, folhas e muitos deles.
Fico feliz quando vejo
E meu desejo é que todas
As pessoas também vejam.
E que ao contemplar tal beleza,
Se sintam abençoadas,
Pois passarinho no jardim, dentro da sua casa,
É benção sim, Deus é mais,
e sempre sabe o que faz.
E entre tudo que cria,
Nos deu, cheios de alegrias
Esses bichinhos pintados.
Cada um mais colorido
Que o outro. Que bonito!
Obrigada, meu Senhor,
Por tudo! Por tanto amor!

Lola 25/09/19 ( contemplando da janela, os passarinhos no jardim)

24/09/2019

A natureza das coisas

A natureza não conspira, inspira
E nessa briga nos obriga a lutar
Pelo que abriga, cuida, empondera.
Pudera! A natureza é bela!
E se há beleza, há perfeição.
Não aquela da igualdade moldada,
Esta beira à maldade.
Mas aquela que existe na diversidade
E que vê a todos como irmãos.
Em cada flor vermelha, em cada botão.
Em cada estrela que, por não ser cadente, faz vislumbrar certezas.

Lola (outubro, 2019)

Minha inspiração

Se falas, calas, dormes ou acordas,
tudo passa a mim como inspiração.
E se a canção que a gente gosta tocar no rádio,
ah, eu não me calo, começo a cantar.
Não paro de pensar, não paro de falar,
e além do mais, os teus olhos lindos
me encontram em sonhos.
E eu nem quero acordar.

Lola (2019)


De Poesia a poema


Hoje é dia de Poesia virar poema,
Seja pelo encanto que a vida em si carrega,  seja pela minha pena.
O nascimento de uma criança nos restaura o  fôlego, nos anima,
E a vida, assim vivida, passa a ter outros sabores,
Cores, luzes, amores.
Tudo de bom a vida é, se a criança vier com toda a poesia que contém.
E numas, ela excede e lhe dá o nome.
Vira poema e ainda mais encanta. E o de hoje, não por acaso,  é para a Poesia que o precedeu
- A filhinha de um amigo meu.

Lola (fevereiro de 2019 - encantada com a escolha do nome da filhinha de Celino Neto)

De embevecer

Entre fitas, sorrisos bonitos, expressão de alegria,
O pai segura a cria,
Agradece ao Senhor a dádiva que veio.
É São João, é São Pedro, é Antônio no meio,
Do parque do Povo, da gente feliz.
É a vida que diz, que vale a pena. Que a alma não é pequena, mas o baby sim.
E é de "Zezim", também de todos nós,
Que o amamos e vibramos,
Mais até que as fitas,
E as saias de chita,
Pra que sua vida seja sempre bonita e nos faça crer.
Como é esta cena, que encanta e acalenta,
Antônio, o  bebê.

Lola, em 30/06/19, embevecida com as fotos de Antônio no PP...😍😄

De sentir-se abençoada


O que seria de mim, sem as muitas e múltiplas mulheres que me compõem?
Como me reconhecer sem o legado da minha mãe e das Marias da minha vida?
Sou o que sou porquê cada uma delas é o que é, em si e em mim.
Quando se tem muitas irmãs e se é quase a caçula, há de se reconhecer uma dádiva imensurável. E quando a mãe retorna à casa do Pai, a orfandade não nos visita... A vida continua bonita, porquê elas existem.
Neste dia das mães, agradeço a Deus por ter me presenteado com tantas mulheres lindas. Mamãe e minhas sete irmãs... Marias da minha vida... E a mãezinha do céu, completa a liga.
Melhor do que ser abençoada, é saber-se abençoada.

Lola (08/03/19)

De apreciar a lua


Coisa linda de se ver
Bola de Prata, na imensidão
Do céu, que a abriga e cuida
Com o carinho de um pai
Amoroso, amigo, confidente.
Quem disse que a lua não é como a gente?
Não dá pra ficar indiferente
Às suas sensibilidades.
A beldade se infla a cada mês,
Num ritual que atrai olhares, evoca  reverências e o que há de melhor na humanidade;
E quem nunca pensou em poesia,
Vira poeta sensível e apurado.
E num gesto de beleza enluarada,
Faz continência e a reverencia,
Revelando a grande magia, de uma noite de lua apreciada.
Lola (18/04/19)

Sobre o amor

Triste é quando alguém se vai sem deixar legado.
Sofro com a saudade, até me abalo,
Mas entender que esta vida passa, seu significado,
Deve estar na ordem do dia, sem hipocrisia.
Assim, mesmo impactada, sigo armada,
Da sensibilidade que me encoraja.
E com a certeza de reencontros, sigo minha vida, não desaponto.
Triste é ir embora sem ter vivido.
Ou feito isto de maneira inadequada.
É preciso a qualquer pessoa se sentir amada.
E amar às outras, compartilhar momentos.
Mesmo desalentos, quando divididos,
Não causam prejuízo, mas aprendizado.
É mister se sentir amado.
E só amando, consegue-se, de fato,
Se abrir ao amor e aproveita-lo.

Lola (14/04/19 - para Sílvio Vilar que perdeu o pai.)


Chegada e partida

E o rio de águas límpidas levou
Seu Antônio para  D. Zefinha.
Ela mesmo veio buscá-lo, tardezinha,
Quando o verde e as flores embelezavam ainda mais aquela sena,
Sonhada pela nora, quase filha.
Não houve um só motivo pra não ir,
Embora fosse bom ficar aqui.
Mas esta etapa ele já cumpriu.
E com louvor, então aos céus subiu.
E é de lá que vai olhar por nós.
Foi-se um Antônio e chegou outro em paz.
A Deus, louvores em agradecimento,
Pelo Jacinto e pelo Antônio menino.


Lola  (março e setembro de 2019. Pela partida de seu Antônio Jacinto e chegada de Antônio Barahcuy Felinto, em 08/03/19)

Pé no chão


Há sonhos que nem existem,
E a gente insiste em sonhar.
E se joga como louca, como poucas coisas acontecem.
Numa intensidade que entorpece e
E até emudece quem as vezes ousa falar.
Melhor calar, já que não há
Nem o sonho, nem o sonhado, nem a gente... Será?!
Fecham-se os olhos... Ops, melhor abrí-los,
E então sentir o que há de verdade  a ser vivida,
Verdade que não precisa ser sofrida, mas sentida.
Nunca é pedir demais ter pé no chão.
Pode até ser tábua de salvação.


23/09/2019

Saias rodadas

Saia rodada e São João
São feitos um para o outro.
E o outro santo, que é Pedro,
Sente um pouco de despeito,
Mas logo a menina avisa:
Visto pra o senhor de novo.

E de tanto reclamar,
São Pedro não ficou sem,
E as sainhas de balão,
Da Capim Santo também,
Enfeitaram a sua noite
E tudo acabou bem.

Lola (junho - 2019 - sobre as saias da Capim Santo)

Parabéns, Lu!



À minha amiga querida,
Desejo tudo de bom.
Não apenas neste dia
Que Deus a deu, como dom,

Mas em toda a sua vida.
Que seja muito feliz,
Lu, você merece.
Então festeje e célebre

Um ano a mais de vida,
Mesmo que a tristeza venha.
Você sabe que a alegria
Há de voltar, minha amiga.

Parabéns! Um dia lindo!
Assim, como o seu sorriso.
Abraço forte e um xero
Além do amor que desejo.

Lola ( 2018 - para Luciana Celi, pelo seu aniversário.)

Singular

Geléia de poesia é doce, é cítrica, é alegria.
Degusto em poemas, em vários motes, mil presenças.
De tudo que foi bom e palatável, e até ausências,
De quem soube deixar gosto na boca sem ser ranço,
De quem deixa saudade sem tristeza, só beleza.
Do que apesar de múltiplo é singular.
 Lola (2019)

Amar é verbo

Eis um ser de luz quea nos ilumina,
Embora teimemos em obscurecer os dias.
Parece falta de poesia,viver assim,
Sem sentir que o que a vida nos exige é um ponto de luz,
É  alegria de viver, é esperança.
Se "quem sai aos seus não degenera", quisera fôssemos como ele,
No gosto pela vida, na coragem, na ternura.
Ah, quem dera!
Papai, 13 anos não são 13 dias,é
É um tempo razoável para a ausência
E se muito ainda dói,
Mais doía  quando contávamos os dias.
A saudade destes anos nos ensina sobre o eterno,
E que ele só existe porque existe o amor, e amar é verbo.

Lola (janeiro 2019 - 13 anos de saudades de papai)

Sobre uma noite feliz

Entre luzes coloridas,
E picotes laminados,
Dançam Fábio e Alice,
Na noite da homenagem.
À formatura do ABC,
No baile bem animado,
Dançam, sorriem, trocam idéias,
Curtem o momento.
Sem se importarem com mais nada, seguem quase a flutuar...
E a cada passo da dança, algo ainda melhor os aguarda.
São as mensagens que os anjos trazem...
Vêm do céu, como promessa de vida feliz,
A cada dia, construindo o futuro.

Vó Loló ( Sob a emoção das expectativas superadas.)


ABC

A gora já sabem ler escrever.
B rincar de saber ensinar é diversão garantida.
C rianças alfabetizadas, "é mato" nesta família.

Lola ( dezembro, 2018 - feliz com a formatura do ABC de Alice, Pedro, Luna, Iris e Isis.

Distância

A distância se fez de um jeito,
Que nem tive tempo pra pensar
Como de repente tudo muda...
Será que tem que mudar?

Eu me pergunto em silêncio,
E assim fico um tempão.
Respeitando tua ausência,
Na esperança que resurjas
E a alegria volte a reinar.

Lola (2019)

Corujices

Í(caro),
Í(carinho),
Ihhh, cara!
Já és nosso amorzinho.
Dos tios corujas, das vovós babonas,
Dos vovôs quietinhos,
Dos colos quentinhos, das avós titias. (E dos vovôs tios, senão se ressentem.)
Das primas/tias e primos/tios também.
Se pensa que a gente tá pra brincadeira,
Acertou em cheio, foi seta na mosca.
Ora, veja só, que coisa mais louca,
Uma família imensa se pondo a chorar,
De satisfação, de pura emoção,
Pois não vê a hora de te receber
De asas abertas, corujas que são.

Lola (02/11/18, sob a emoção do chá de fraldas de Ícaro)

Doutora do ABC

Minha doutora é brinquedo, é do dodói é do ABC.
Simplesmente porquê sabe ler.
E o faz com desenvoltura tanta, que a mim, só não espanta,
Porque a conheço bem.
Sei muitos dos dons que ela tem.
Minha doutora do ABC - é assim que chamamos quem, além de ler e escrever, sabe contar estórias, calcular números, entender a geografia e outras ciências -
É muito importante pra mim.
Mas não por saber tantas coisas assim;
Simplesmente por ter conquistado o meu coração,
Mesmo antes de sua aparição neste mundo encantado.
Pois pra mim, já era um ser muito amado,
Que aguardava estrear sua vida de Alice aqui,
No País das Maravilhas, junto a mim,
Que esperava, nem sei desde quando,
O momento de ser feliz assim, tanto.

Vó Loló (semana de 17-24/11/18, na espectativa da formatura do ABC)

De florir a vida

Amo Mário Quintana!
Amo as andorinhas
Que em meu jardim habitam!
Amo o fio de vida que me cabe e que me instiga;
À luta, à poesia, a florir a vida.

Lola (04/11/18)

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